Um ataque cardíaco, também conhecido como infarto do miocárdio, é uma emergência médica grave que ocorre quando o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco é bloqueado abruptamente, geralmente por um coágulo sanguíneo em uma artéria coronária. Este bloqueio impede que o oxigênio chegue ao tecido cardíaco, levando à necrose se não for tratado rapidamente [1]. A principal causa é a doença arterial coronariana, resultante do acúmulo de placas de ateroma devido à aterosclerose, que pode romper e desencadear a formação de um coágulo [2]. Os sintomas mais comuns incluem dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas, além de falta de ar, sudorese, náusea e tontura [3]. Em mulheres e idosos, os sintomas podem ser atípicos, como fadiga extrema ou desconforto gastrointestinal, o que pode atrasar o diagnóstico [4]. O diagnóstico envolve a análise do eletrocardiograma e a medição de biomarcadores cardíacos como a troponina, que indicam lesão do miocárdio [5]. O tratamento imediato pode incluir medicamentos como aspirina para prevenir coágulos, nitroglicerina para aliviar a dor, e procedimentos como angioplastia com stent ou cirurgia de revascularização miocárdica em casos graves [6]. A prevenção secundária envolve o uso de medicamentos como betabloqueadores, estatinas e antiplaquetários, além da participação em reabilitação cardíaca, que melhora significativamente a qualidade de vida e reduz a mortalidade [7]. Fatores de risco modificáveis como hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade e sedentarismo desempenham um papel crucial na suscetibilidade ao infarto [8]. Disparidades socioeconômicas, raciais e de gênero também influenciam o risco e os desfechos, com populações marginalizadas enfrentando maior incidência e piores prognósticos [9]. Estratégias de saúde pública como políticas de controle do tabaco e intervenções dietéticas têm demonstrado eficácia na redução da incidência populacional de infartos [10].

Definição e Causas

Um ataque cardíaco, também conhecido como infarto do miocárdio, é uma emergência médica grave que ocorre quando o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco é bloqueado abruptamente, geralmente por um coágulo sanguíneo em uma artéria coronária [1]. Esse bloqueio impede que o oxigênio alcance parte do tecido cardíaco, levando à necrose se não for tratado rapidamente. A Associação Americana do Coração define um ataque cardíaco como um evento no qual o suprimento de sangue e oxigênio para uma seção do coração é bloqueado, tipicamente por um coágulo em uma artéria coronária [12]. Os ataques cardíacos são considerados síndromes coronarianas agudas e exigem atendimento médico imediato para restaurar o fluxo sanguíneo e minimizar danos permanentes ao coração [13].

Causas de um Ataque Cardíaco

A causa mais comum de um ataque cardíaco é a doença arterial coronariana (DAC), que resulta do acúmulo de depósitos de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias coronárias. Esse acúmulo forma placas em um processo conhecido como aterosclerose [2]. Quando uma placa em uma artéria coronária se rompe, desencadeia a formação de um coágulo sanguíneo no local da ruptura. Se o coágulo for grande o suficiente, pode bloquear o fluxo sanguíneo pela artéria, interrompendo o suprimento de oxigênio ao músculo cardíaco e causando um ataque cardíaco [15].

Em alguns casos, um ataque cardíaco também pode ser causado por:

  • Uma súbita espasmo de uma artéria coronária que interrompe o fluxo sanguíneo
  • Uma ruptura na artéria coronária (dissecção espontânea da artéria coronária)
  • Hipóxia grave (falta de oxigênio no sangue), que pode resultar de condições como envenenamento por monóxido de carbono ou doenças pulmonares graves [16].

Embora a ruptura da placa e a formação do coágulo sejam os mecanismos primários, o desenvolvimento subjacente da aterosclerose é influenciado por vários fatores de risco, incluindo hipertensão, colesterol alto, tabagismo, diabetes, obesidade, inatividade física e histórico familiar de doenças cardíacas [16]. O tratamento imediato é crítico para restaurar o fluxo sanguíneo e prevenir complicações a longo prazo, como insuficiência cardíaca ou arritmias [18].

Sintomas e Apresentações Atípicas

Os sintomas de um infarto agudo do miocárdio (IAM) podem variar amplamente entre os indivíduos, sendo que nem todos os pacientes apresentam a clássica dor torácica. Apresentações atípicas são particularmente comuns em mulheres e idosos, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. Reconhecer essas variações é essencial para garantir uma resposta clínica oportuna e melhorar os desfechos. A ausência de dor no peito não exclui um infarto, e muitos pacientes experimentam sintomas inespecíficos que podem ser erroneamente atribuídos a outras condições, como distúrbios gastrointestinais ou ansiedade [4].

Sintomas Atípicos em Mulheres

Mulheres são mais propensas a apresentar sintomas atípicos durante um infarto, o que contribui para o atraso no reconhecimento e na busca por atendimento médico. Embora algumas mulheres possam experimentar dor torácica, muitas relatam desconforto em outras regiões do corpo ou sintomas sistêmicos. Os sinais mais comuns em mulheres incluem falta de ar, náusea, vômito, fadiga extrema, desconforto abdominal superior e dor no pescoço, mandíbula, ombros ou costas [4]. Estudos indicam que até 43% das mulheres com IAM não relatam dor no peito, em comparação com cerca de 30% dos homens [21].

Essas diferenças clínicas podem ser atribuídas a fatores biológicos, hormonais e sociais. A percepção de sintomas atípicos pode levar mulheres a interpretar o evento como estresse, indigestão ou envelhecimento, atrasando a busca por ajuda. Além disso, preconceitos de gênero e subestimação dos sintomas por parte de profissionais de saúde também contribuem para desigualdades no diagnóstico e tratamento [22]. A educação da população e dos clínicos sobre essas variações é crucial para melhorar a suspeita clínica e a intervenção precoce síndrome coronariana aguda.

Sintomas Atípicos em Idosos

Idosos, especialmente aqueles com mais de 75 anos, frequentemente apresentam infartos silenciosos ou com sintomas atípicos. Aproximadamente um terço dos pacientes idosos com IAM pode não experimentar dor torácica [23]. Em vez disso, podem manifestar confusão mental, fraqueza súbita, tontura, desmaios (síncope), alterações no estado mental ou declínio funcional abrupto [24]. Essas manifestações são resultado de alterações fisiológicas relacionadas à idade, como redução na sensibilidade à dor, disfunção autonômica e comorbidades que mascaram os sinais típicos de isquemia miocárdica.

O diagnóstico diferencial é particularmente desafiador, pois sintomas como dispneia podem ser erroneamente atribuídos à doença pulmonar obstrutiva crônica ou à insuficiência cardíaca, enquanto náuseas e desconforto epigástrico podem ser interpretados como distúrbios gastrointestinais [25]. O atraso no diagnóstico é agravado por déficits sensoriais, comprometimento cognitivo e isolamento social, que dificultam a comunicação dos sintomas [26]. Além disso, níveis basais elevados de troponina em idosos devido a alterações miocárdicas relacionadas à idade tornam a interpretação dos biomarcadores mais complexa [27].

Impacto nas Intervenções e Desfechos Clínicos

A apresentação atípica em mulheres e idosos está diretamente associada a atrasos no diagnóstico e na intervenção, o que compromete significativamente os resultados clínicos. O tempo prolongado entre o início dos sintomas e a reperfusão, especialmente em casos de infarto com supradesnível do segmento ST (STEMI), aumenta o risco de necrose miocárdica extensa, insuficiência cardíaca e morte [28]. Mulheres, por exemplo, têm mais tempo entre o primeiro contato médico e a realização do eletrocardiograma, além de menor probabilidade de acionar serviços de emergência [29].

Além disso, pacientes com sintomas atípicos são menos propensos a receber terapias baseadas em evidências, como angiografia precoce, procedimentos de revascularização e medicações de prevenção secundária [30]. Isso resulta em taxas mais altas de complicações, como choque cardiogênico e morte hospitalar [31]. A subtratamento é exacerbado por alterações eletrocardiográficas pré-existentes, como hipertrofia ventricular esquerda ou bloqueios de ramo, que dificultam a identificação de mudanças isquêmicas agudas [32].

Estratégias para Melhorar o Diagnóstico

Para superar esses desafios, é fundamental manter um alto índice de suspeição diagnóstica em populações de risco, especialmente mulheres mais velhas. Diretrizes atuais recomendam a consideração do infarto como diagnóstico diferencial em qualquer paciente com sintomas inespecíficos, mesmo na ausência de dor torácica [33]. A utilização de exames complementares, como eletrocardiogramas seriados e testes de troponina de alta sensibilidade com limiares específicos por sexo, pode melhorar a precisão diagnóstica [34]. A educação pública sobre sintomas atípicos e a sensibilização dos profissionais de saúde são essenciais para reduzir disparidades e melhorar os desfechos em grupos vulneráveis. A integração de abordagens personalizadas e baseadas em evidências é fundamental para o manejo eficaz da síndrome coronariana aguda em todas as populações.

Diagnóstico e Avaliação Clínica

O diagnóstico de infarto do miocárdio é um processo crítico e multifacetado que combina a avaliação clínica, exames laboratoriais e testes de imagem para confirmar a lesão miocárdica e guiar o tratamento imediato. A abordagem diagnóstica varia conforme o tipo de síndrome coronariana aguda, especialmente entre o infarto com supradesnível do segmento ST (STEMI) e o infarto sem supradesnível do segmento ST (NSTEMI), refletindo diferenças patofisiológicas fundamentais [35]. A avaliação começa com o reconhecimento dos sintomas, sendo a dor torácica o achado mais comum, embora possa irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas, e ser acompanhada por dispneia, sudorese fria, náusea e tontura [3]. Em mulheres e idosos, os sintomas podem ser atípicos, como fadiga extrema ou desconforto gastrointestinal, o que pode atrasar o diagnóstico [4].

Avaliação Inicial e Exames Complementares

O primeiro passo no diagnóstico é a realização rápida do eletrocardiograma (ECG), que deve ser feito dentro de 10 minutos do contato médico inicial. O ECG é crucial para identificar alterações elétricas agudas, como o supradesnível do segmento ST, que define o STEMI e exige reperfusão imediata [38]. Em casos de NSTEMI, o ECG pode mostrar depressão do segmento ST, inversão de onda T ou alterações inespecíficas, mas não o supradesnível característico [39]. A presença de bloqueio de ramo esquerdo (LBBB) ou ritmo com marca-passo exige critérios especiais, como os critérios de Sgarbossa modificados, para identificar infarto agudo [40]. O ECG também ajuda a diferenciar o infarto de outras causas de dor torácica, como a pericardite, que apresenta elevação difusa e côncava do segmento ST, sem alterações recíprocas [41].

Paralelamente ao ECG, são realizados exames laboratoriais para detectar biomarcadores cardíacos. A troponina cardíaca é o marcador preferido devido à sua alta especificidade e sensibilidade para lesão miocárdica [5]. Um infarto é diagnosticado quando há evidência de necrose miocárdica, definida por um aumento e/ou queda nos níveis de troponina, com pelo menos um valor acima do percentil 99 do limite superior de referência, no contexto clínico de isquemia [5]. Os ensaios de alta sensibilidade (hs-cTn) permitem a detecção de lesão miocárdica em 1–3 horas após o início dos sintomas, facilitando estratégias de exclusão ou confirmação rápida, como os protocolos de 0/1 hora ou 0/2 horas [44]. Em idosos, os níveis basais de troponina podem estar elevados devido a alterações miocárdicas relacionadas à idade, o que torna a interpretação mais complexa [27].

Diferenciação entre STEMI e NSTEMI

A distinção entre STEMI e NSTEMI é baseada na extensão e natureza da obstrução da artéria coronária. O STEMI resulta de uma obstrução coronariana completa e persistente, geralmente por trombo em placa aterosclerótica rompida, levando a isquemia transmural e elevação do segmento ST no ECG [46]. Em contraste, o NSTEMI decorre de obstrução parcial ou transitória, causando isquemia subendocárdica, que não produz elevação do segmento ST [47]. Essa diferença patofisiológica determina estratégias de reperfusão distintas: no STEMI, a reperfusão imediata é crítica ("tempo é músculo"), enquanto no NSTEMI, a abordagem é baseada na estratificação de risco [35]. Para pacientes com NSTEMI, utiliza-se escores clínicos como o GRACE (Global Registry of Acute Coronary Events) para determinar o risco de eventos adversos. Pacientes de alto risco devem ser submetidos à angiografia coronariana dentro de 24–48 horas, enquanto os de baixo risco podem ser gerenciados com terapia medicamentosa e teste de estresse não invasivo [35].

Avaliação em Casos Sem Doença Obstrutiva

Em cerca de 5–10% dos pacientes com infarto, a angiografia coronariana revela ausência de estenose obstrutiva (>50% de estreitamento), um cenário conhecido como infarto do miocárdio com artérias coronárias não obstruídas (MINOCA) [50]. Nesses casos, a elevação da troponina pode ser causada por mecanismos não aterotrombóticos, como o infarto tipo 2 (T2MI), que ocorre por desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio (ex.: taquiarritmias, anemia grave, hipotensão) [51]. Outras causas incluem miocardite, espasmo da artéria coronária (angina de Prinzmetal), dissecação espontânea da artéria coronária (SCAD) e disfunção microvascular [50]. A avaliação diagnóstica sistemática nesses casos pode incluir ressonância magnética cardíaca para avaliar padrões de necrose e inflamação, imagens intracoronárias (OCT, IVUS) para detectar ruptura de placa ou dissecção, e testes provocativos para espasmo [50]. A presença de MINOCA tem implicações prognósticas importantes, com risco significativo de eventos cardiovasculares a longo prazo, exigindo estratégias terapêuticas personalizadas [54].

Estratégias de Reperfusão e Tempo para Tratamento

A escolha da estratégia de reperfusão depende do tipo de infarto e da disponibilidade de recursos. No STEMI, a intervenção coronariana percutânea primária (PCI) é a terapia preferida, devendo ser realizada dentro de 90 minutos do primeiro contato médico [35]. Se a PCI não estiver disponível dentro desse prazo, a fibrinólise deve ser administrada dentro de 30 minutos da chegada ao hospital, desde que não haja contraindicações [35]. Para o NSTEMI, a fibrinólise é contraindicada devido ao risco aumentado de hemorragia sem benefício claro [57]. A coordenação entre as equipes de medicina de emergência, serviços de emergência médica (EMS) e laboratórios de cateterismo é essencial para otimizar os tempos de reperfusão. A ativação pré-hospitalar do laboratório de cateterismo com base no ECG transmitido pelo EMS reduz significativamente o tempo porta-balão (D2B) [58]. Sistemas regionais de cuidados, como o programa Mission: Lifeline da American Heart Association, padronizam esses processos, melhorando os desfechos [59].

Tratamento Agudo e Reperfusão

O tratamento agudo de um infarto do miocárdio visa restaurar rapidamente o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, minimizando a extensão da necrose miocárdica e melhorando a sobrevida. A estratégia de reperfusão depende do tipo de infarto, com abordagens distintas para o infarto com supradesnível do segmento ST (STEMI) e o infarto sem supradesnível do segmento ST (NSTEMI), refletindo as diferenças fisiopatológicas subjacentes.

Diferenças Fisiopatológicas entre STEMI e NSTEMI

A principal distinção entre STEMI e NSTEMI reside na natureza e extensão da obstrução da artéria coronária. O STEMI resulta de uma obstrução completa e persistente de uma artéria coronária epicárdica principal, geralmente devida à formação de um trombo em um local de ruptura ou erosão da placa aterosclerótica [46]. Esta obstrução total leva a uma isquemia transmural, afetando toda a espessura da parede miocárdica, o que se manifesta no eletrocardiograma (ECG) como supradesnível do segmento ST. Em contraste, o NSTEMI surge de uma obstrução parcial ou transitória, muitas vezes associada a um trombo não oclusivo, resultando em isquemia subendocárdica, que afeta principalmente a camada interna do miocárdio. Este padrão de isquemia não produz supradesnível do segmento ST, mas sim depressão do segmento ST, inversão da onda T ou alterações inespecíficas no ECG [47]. Ambos os tipos envolvem necrose miocárdica, confirmada pela elevação de biomarcadores cardíacos, especialmente a troponina [5].

Estratégias de Reperfusão no STEMI

Devido à obstrução coronária completa no STEMI, a reperfusão imediata é crítica, pois o tempo é músculo; a isquemia prolongada leva à necrose irreversível. A diretriz de 2025 da ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI enfatiza uma abordagem baseada em sistema para minimizar o tempo desde o primeiro contato médico até a reperfusão [35]. A estratégia preferida de reperfusão é a intervenção coronária percutânea primária (ICP), que deve ser realizada dentro de 90 minutos do primeiro contato médico quando disponível em um centro capacitado [35]. Se a ICP primária não puder ser realizada dentro desse prazo, a terapia fibrinolítica é recomendada, idealmente administrada dentro de 30 minutos da chegada ao hospital, desde que não haja contraindicações [35]. A evidência mostra que a reperfusão mais precoce está associada à redução do tamanho do infarto, melhora da função do ventrículo esquerdo e menor mortalidade [66]. A coordenação entre as equipes de medicina de emergência, paramédicos e laboratórios de cateterismo é fundamental para otimizar os tempos de atendimento [7].

Estratégias de Revascularização no NSTEMI

No NSTEMI, devido à ausência de obstrução coronária completa, a reperfusão imediata não é rotineiramente necessária. O manejo segue uma abordagem estratificada por risco, equilibrando o risco de isquemia ou infarto recorrente contra os riscos dos procedimentos invasivos. Os pacientes são avaliados usando escores clínicos de risco, como o escore GRACE (Global Registry of Acute Coronary Events), para determinar a probabilidade de desfechos adversos. Com base nessa estratificação:

  • Pacientes de alto risco (por exemplo, isquemia contínua, instabilidade hemodinâmica, arritmias ou biomarcadores elevados com alterações dinâmicas no ECG) são recomendados para uma estratégia invasiva precoce, com angiografia coronária recomendada dentro de 24–48 horas da apresentação [35].
  • Pacientes de risco intermediário podem ser submetidos à angiografia dentro de 72 horas.
  • Pacientes de baixo risco podem ser inicialmente tratados com terapia medicamentosa e teste de esforço não invasivo para avaliar a isquemia residual [69]. A revascularização, quando indicada, é tipicamente realizada via ICP ou cirurgia de revascularização miocárdica (CABG), dependendo da complexidade da anatomia coronária e das comorbidades do paciente. Ao contrário do STEMI, a terapia fibrinolítica é contraindicada no NSTEMI devido à ausência de obstrução completa e ao maior risco de hemorragia sem benefício claro [57].

Terapia Medicamentosa Imediata

O tratamento medicamentoso de emergência é essencial para estabilizar o paciente e prevenir complicações. A administração de aspirina é um passo fundamental; se o paciente não for alérgico, a mastigação de uma aspirina (geralmente 300 mg) ajuda a prevenir a formação de novos coágulos [6]. A nitroglicerina pode ser administrada para aliviar a dor torácica, dilatando os vasos sanguíneos e melhorando o fluxo sanguíneo [72]. Além disso, são utilizados medicamentos antiplaquetários e anticoagulantes, como clopidogrel e heparina, para prevenir a formação de novos trombos [73]. Para pacientes em choque cardiogênico, o uso de agentes inotrópicos como dobutamina ou milrinone pode ser necessário para melhorar a contratilidade do coração [74].

Terapia Fibrinolítica: Indicações e Contraindicações

A terapia trombolítica é preferida sobre a ICP primária em cenários clínicos específicos onde o acesso oportuno à ICP não é viável. Segundo as diretrizes atuais, a ICP primária é a estratégia preferida para o STEMI quando pode ser realizada dentro de 120 minutos do primeiro contato médico [75]. No entanto, a trombólise torna-se a alternativa recomendada quando a ICP não pode ser realizada dentro desse tempo, devendo ser administrada o mais cedo possível, idealmente dentro de 30 minutos da chegada ao hospital [76]. A trombólise é particularmente apropriada em locais rurais ou remotos, durante horários fora do expediente em centros não intervencionistas ou quando a logística de transporte resultaria em atrasos prolongados. As contraindicações absolutas incluem história de acidente vascular cerebral hemorrágico em qualquer momento, acidente vascular cerebral isquêmico nos últimos 12 meses, neoplasia intracraniana conhecida, sangramento interno ativo e suspeita de dissecção da aorta [77]. As contraindicações relativas incluem hipertensão grave não controlada, cirurgia ou trauma major nos últimos 4 semanas, uso atual de anticoagulantes com INR >2 e gravidez [78].

Complicações e Manejo de Emergência

Um ataque cardíaco pode desencadear uma série de complicações agudas e potencialmente fatais que exigem intervenção imediata no ambiente de emergência. As mais comuns incluem arritmias malignas, choque cardiogênico, insuficiência cardíaca aguda e complicações mecânicas graves, como ruptura de parede livre, comunicação interventricular ou regurgitação mitral aguda devida à ruptura de músculo papilar [79]. A detecção precoce e o manejo adequado dessas complicações são essenciais para melhorar a sobrevida e minimizar o dano miocárdico.

Complicações Cardíacas Imediatas

As arritmias são as complicações mais frequentes nas primeiras 24 a 48 horas após um infarto agudo do miocárdio. A fibrilação ventricular (FV) é a principal causa de morte súbita nessa fase e exige desfibrilação imediata [80]. A taquicardia ventricular sustentada (TV) também é comum e pode evoluir para FV, comprometendo gravemente a perfusão sistêmica. Em infartos inferiores, são frequentes os bloqueios atrioventriculares (BAV), especialmente de segundo e terceiro graus, que podem exigir marcação temporária [81]. Outras arritmias, como fibrilação atrial, podem surgir e contribuir para instabilidade hemodinâmica [82]. A insuficiência cardíaca aguda e o edema pulmonar são decorrentes da disfunção sistólica ou diastólica do ventrículo esquerdo e requerem suporte respiratório e hemodinâmico urgente [83].

Choque Cardiogênico

O choque cardiogênico (CC) ocorre quando o coração não consegue manter uma perfusão sistêmica adequada, afetando cerca de 5 a 10% dos pacientes com infarto e associado a taxas de mortalidade que podem atingir 50%, mesmo com terapias modernas [74]. Geralmente resulta de necrose miocárdica extensa, envolvendo mais de 40% do ventrículo esquerdo. O manejo inicial inclui estabilização da via aérea e ventilação, com intubação em casos de falência respiratória ou alteração do estado mental. A oxigenoterapia deve ser titulada para manter a saturação acima de 94%, evitando a hiperoxemia [85].

O suporte farmacológico é fundamental: a noradrenalina é o vasopressor de primeira linha para manter a pressão arterial média (PAM) ≥65 mmHg, enquanto dobutamina ou milrinona podem ser adicionados em caso de baixo débito cardíaco com pressões de enchimento adequadas [74]. A administração cuidadosa de fluidos (250–500 mL) deve ser guiada pela resposta clínica, evitando a sobrecarga hídrica que pode precipitar edema pulmonar. A monitorização hemodinâmica invasiva, com cateter arterial e, em casos complexos, cateter de Swan-Ganz, pode auxiliar na condução terapêutica [87].

A reperfusão imediata é o pilar do tratamento. A angioplastia primária deve ser realizada de forma emergencial, idealmente dentro de 90 minutos do primeiro contato médico, independentemente do estado de estabilização inicial [88]. Quando a angioplastia não está disponível em até 120 minutos, a fibrinólise deve ser considerada, desde que não haja contraindicações. O suporte circulatório mecânico (SCM), como o balão intraaórtico (BIA), dispositivos Impella ou membrana de oxigenação extracorpórea venoarterial (ECMO-VA), pode ser necessário em casos refratários, especialmente quando há necessidade de ponte para recuperação, transplante ou terapia de assistência ventricular [89].

Manejo de Arritmias no Atendimento de Emergência

O manejo das arritmias segue protocolos de suporte avançado de vida cardiovascular (SAV-C). Para fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, as etapas são: iniciar imediatamente a reanimação cardiopulmonar (RCP) com 100–120 compressões por minuto, realizar desfibrilação precoce com choque único (bifásico de 120–200 J), continuar a RCP por 2 minutos após o choque, administrar adrenalina 1 mg intravenosa a cada 3–5 minutos e considerar amiodarona 300 mg IV (ou lidocaína) após o segundo choque em caso de persistência [90]. Após a reanimação, o cuidado pós-parada inclui manutenção da temperatura corporal (manutenção da temperatura alvo), otimização hemodinâmica e angiografia coronária urgente, pois o infarto é a causa subjacente na maioria dos casos [91].

Para taquicardia ventricular estável, podem-se usar antiarrítmicos como procainamida, amiodarona ou lidocaína. A cardioversão sincronizada (50–100 J) é indicada se o paciente se tornar instável. Nos casos de bradiarritmias e bloqueios atrioventriculares, a atropina 0,5 mg IV (repetida até 3 mg) é o tratamento inicial para bradicardia sinusal ou bloqueios de primeiro e segundo grau tipo I. A marcação transcutânea é a primeira opção para bloqueios de alto grau (Mobitz II ou terceiro grau) com comprometimento hemodinâmico. Infusões de dopamina ou adrenalina podem ser usadas como ponte para a marcação transvenosa [92]. É fundamental investigar causas reversíveis, como hipóxia, desequilíbrios eletrolíticos ou isquemia, utilizando o algoritmo das "H's e T's" [93].

Coordenação Interprofissional e Sistemas Regionais de Atendimento

A eficácia do manejo de emergência depende fortemente da coordenação interprofissional entre médicos de emergência, enfermeiros, paramédicos e cardiologistas. A colaboração entre essas equipes acelera o diagnóstico, reduz os tempos de reperfusão e melhora os desfechos clínicos [94]. A ativação pré-hospital da sala de cateterismo, com base na eletrocardiografia de 12 derivações realizada no local do atendimento, é uma estratégia-chave que diminui significativamente o tempo de chegada à balonagem (D2B) [95]. O programa Mission: Lifeline da American Heart Association promove a ativação pré-hospital de recursos hospitalares (PreAct STEMI), permitindo que os paramédicos transmitam o eletrocardiograma e ativem a sala de cateterismo antes da chegada do paciente [96].

Sistemas regionais de atendimento ao infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (IAMCS) são essenciais para garantir acesso equitativo e oportuno à angioplastia, especialmente em áreas rurais ou com poucos recursos. Esses sistemas integram agências de serviços médicos de emergência (SME), hospitais sem capacidade de angioplastia e centros com laboratório de cateterismo, operando sob protocolos padronizados [97]. Eles incluem educação comunitária, protocolos de triagem da SME, acordos formais de transferência e melhorias contínuas baseadas em dados. Plataformas digitais baseadas em nuvem, como o aplicativo Pulsara, facilitam a comunicação em tempo real entre os prestadores de cuidados, reduzindo os tempos de atendimento em até 31% em áreas rurais [98]. A revisão multidisciplinar regular dos indicadores de qualidade, como o tempo de diagnóstico à balonagem, permite identificar gargalos e implementar intervenções direcionadas [99].

Estratégias para Melhorar a Comunicação em Emergências

A comunicação eficaz é vital em situações de tempo crítico. O uso de listas de verificação padronizadas e protocolos de repasse, como os desenvolvidos com abordagem Delphi modificada, garante que informações críticas — como o momento do início dos sintomas, intervenções realizadas e resposta do paciente — sejam comunicadas com precisão [100]. A comunicação em ciclo fechado, na qual o emissor emite uma instrução clara, o receptor a repete e o emissor confirma a exatidão, minimiza erros em ambientes de alto estresse [101]. A definição clara de papéis — líder da equipe, responsável pela via aérea, compressor, registrador — assegura que todas as tarefas sejam cobertas sem duplicação ou omissão [102]. A implementação de modelos de equipe de alto desempenho, como o modelo ACLS de seis pessoas, otimiza a coordenação durante a reanimação [103]. Essas estratégias, combinadas com treinamento contínuo e simulações, são fundamentais para garantir um atendimento de alta qualidade e salvar vidas em emergências cardiovasculares.

Prevenção Secundária e Reabilitação

A prevenção secundária e a reabilitação cardíaca são pilares essenciais no manejo pós-infarto, com o objetivo de reduzir a mortalidade, prevenir eventos cardiovasculares recorrentes e melhorar a qualidade de vida dos sobreviventes. Essas estratégias envolvem uma abordagem multifacetada que combina terapias farmacológicas, modificação de estilo de vida, reabilitação estruturada e apoio psicológico, baseada em evidências de grandes diretrizes clínicas American Heart Association, European Society of Cardiology e National Institute for Health and Care Excellence [7][105].

Terapias Farmacológicas Baseadas em Evidências

A terapia medicamentosa é o alicerce da prevenção secundária após um infarto do miocárdio. As recomendações atuais enfatizam o uso de medicamentos que reduzem a carga de eventos isquêmicos, estabilizam a placa aterosclerótica e modulam fatores de risco.

A terapia antiplaquetária é fundamental, especialmente em pacientes submetidos à angioplastia com stent. A dupla terapia antiplaquetária (DAPT), combinando aspirina com um inibidor do receptor P2Y₁₂ (como clopidogrel, ticagrelor ou prasugrel), é recomendada por até 12 meses após o infarto. Em pacientes com alto risco isquêmico e baixo risco de sangramento, a DAPT pode ser prolongada. O ticagrelor é preferido sobre o clopidogrel devido à sua superioridade na redução de eventos isquêmicos em pacientes com síndrome coronariana aguda [7]. A aspirina deve ser mantida indefinidamente, a menos que haja contraindicação.

A terapia com estatinas de alta intensidade é indicada para todos os pacientes pós-infarto, independentemente dos níveis basais de colesterol LDL. Medicamentos como atorvastatina (40–80 mg) ou rosuvastatina (20–40 mg) devem ser iniciados precocemente, com o objetivo de atingir um nível de LDL-C inferior a 55 mg/dL e uma redução de pelo menos 50% em relação ao valor basal. Caso as metas não sejam alcançadas com estatinas isoladamente, recomenda-se a adição de ezetimiba ou inibidores do PCSK9 [107].

O uso de betabloqueadores é recomendado por pelo menos 12 meses em pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida (≤40%) ou com insuficiência cardíaca. No entanto, sua utilidade em pacientes com função sistólica preservada é menos clara, com estudos recentes não demonstrando benefício significativo em mortalidade. Assim, o uso deve ser individualizado, com forte indicação em pacientes com angina persistente, arritmias ou disfunção ventricular [7].

Além disso, o controle rigoroso da hipertensão com inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina (ARBs) ou bloqueadores dos canais de cálcio é essencial, com meta de pressão arterial inferior a 130/80 mmHg. Em pacientes com diabetes, o uso de inibidores do SGLT2 ou agonistas do GLP-1 é incentivado devido aos benefícios cardiovasculares demonstrados [109].

Reabilitação Cardíaca: Um Programa Multidisciplinar

A reabilitação cardíaca é uma recomendação Classe I para todos os pacientes pós-infarto que estejam clinicamente estáveis, sendo considerada um dos pilares mais eficazes da prevenção secundária. Programas de reabilitação são abrangentes e multidisciplinares, incluindo treinamento supervisionado de exercícios, modificação de fatores de risco cardiovascular, aconselhamento nutricional, apoio psicossocial e educação do paciente [110].

Evidências de revisões sistemáticas do Cochrane Collaboration demonstram que a reabilitação baseada em exercícios reduz a mortalidade por todas as causas em cerca de 20–25% e a mortalidade cardiovascular em quase 30% [111]. Além disso, melhora a capacidade funcional, reduz as hospitalizações, promove adesão a comportamentos saudáveis e aumenta a qualidade de vida. Apesar desses benefícios comprovados, a adesão à reabilitação permanece subótima, com taxas globais frequentemente abaixo de 50%, destacando a necessidade de melhorar os sistemas de encaminhamento, o acesso a programas e a disponibilidade de modelos domiciliares ou digitais [112].

Modificação do Estilo de Vida e Fatores Comportamentais

A mudança no estilo de vida é um componente crítico da prevenção secundária. O abandono do tabagismo é fortemente recomendado, com apoio farmacológico (como reposição de nicotina ou vareniclina) e comportamental para maximizar o sucesso [7]. A adoção de uma dieta cardiosaudável, como a dieta mediterrânea ou a dieta DASH, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, é essencial para o controle do colesterol, da pressão arterial e do peso [109].

A prática regular de atividade física é incentivada, com meta de pelo menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, adaptados à capacidade individual. O controle do peso, com índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9 kg/m², e a redução da circunferência abdominal em casos de obesidade central também são objetivos importantes [109].

Abordagem Psicológica e Comportamental

Fatores psicológicos como estresse crônico, depressão e ansiedade desempenham um papel significativo tanto no risco de infarto quanto na recuperação. A depressão pós-infarto está associada a maior risco de mortalidade e eventos recorrentes, além de comprometer a adesão ao tratamento [116]. Programas de reabilitação psicologicamente informados incorporam avaliação psicossocial, terapia cognitivo-comportamental (TCC), técnicas de ativação comportamental e treinamento em gerenciamento de estresse para abordar esses fatores [117].

Intervenções comportamentais baseadas em evidências, como estabelecimento de metas, autorreflexão e entrevista motivacional, são eficazes para promover mudanças sustentáveis em múltiplos comportamentos de saúde, incluindo cessação do tabagismo, alimentação saudável e adesão medicamentosa [118]. O apoio social e a inclusão da família no processo educacional também são estratégias importantes para melhorar a adesão e o bem-estar psicológico [119].

Desafios e Estratégias para Melhorar a Adesão

Apesar dos benefícios comprovados, os pacientes enfrentam desafios comportamentais significativos na adesão ao tratamento pós-infarto, incluindo falta de orientação clara, medo de sobrecarga física, baixa autoeficácia, depressão e barreiras estruturais como distância ao centro de reabilitação. Estratégias multifacetadas, como triagem automatizada, acompanhamento por trabalhadores comunitários de saúde, materiais educacionais enviados por correio e chamadas telefônicas, demonstraram melhorar a adesão medicamentosa e à reabilitação [120].

O uso de tecnologias digitais, como aplicativos móveis e mensagens de texto, também tem mostrado potencial para sustentar a atividade física e o autocuidado após a alta da reabilitação [121]. Além disso, modelos híbridos ou domiciliares de reabilitação aumentam a acessibilidade, especialmente para pacientes em áreas rurais ou com responsabilidades familiares [118].

Fatores de Risco e Determinantes Sociais

Os fatores de risco para ataque cardíaco podem ser classificados em modificáveis (aqueles que podem ser alterados ou gerenciados) e não modificáveis (aqueles que não podem ser alterados). Além disso, determinantes sociais como condição socioeconômica, raça, etnia e gênero desempenham um papel crucial na suscetibilidade ao infarto e nos desfechos clínicos, refletindo desigualdades profundas no acesso ao cuidado e na exposição a riscos.

Fatores de Risco Modificáveis

Esses são comportamentos ou condições de saúde que aumentam o risco de ataque cardíaco, mas podem ser melhorados por meio de mudanças no estilo de vida ou tratamento médico:

  • Hipertensão arterial (pressão alta): A pressão arterial elevada danifica as artérias ao longo do tempo, contribuindo para o acúmulo de placa e aumentando o risco de ataque cardíaco [123]. O controle da hipertensão é essencial para a prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares.
  • Colesterol alto: Níveis elevados de LDL (colesterol "ruim") levam à formação de placas nas artérias coronárias, um processo conhecido como aterosclerose, que pode bloquear o fluxo sanguíneo para o coração [124].
  • Diabetes: Níveis elevados de glicose no sangue danificam os vasos sanguíneos e os nervos que controlam o coração, aumentando significativamente o risco de ataque cardíaco [8]. O manejo do diabetes é fundamental para reduzir complicações cardiovasculares.
  • Tabagismo: Fumar danifica o revestimento das artérias, eleva a pressão arterial, reduz o oxigênio no sangue e aumenta o risco de coágulos sanguíneos [126]. A cessação do tabagismo é uma das intervenções mais eficazes para reduzir o risco cardiovascular.
  • Dieta não saudável: Dietas ricas em gorduras saturadas, gorduras trans, colesterol, sal e açúcares adicionados contribuem para a obesidade, colesterol alto e hipertensão [127]. A adoção de uma dieta cardiosaudável, como a dieta mediterrânea, está associada a menores riscos de doença cardiovascular.
  • Inatividade física: A falta de exercício regular aumenta o risco de obesidade, hipertensão e má saúde cardíaca. A atividade física regular melhora a função cardíaca e reduz múltiplos fatores de risco.
  • Sobrepeso ou obesidade: O excesso de peso corporal está ligado a maiores riscos de hipertensão, colesterol alto e diabetes tipo 2 [8]. O controle do peso é um componente-chave da prevenção cardiovascular.
  • Consumo excessivo de álcool: Beber muito álcool pode elevar a pressão arterial e contribuir para danos cardíacos e ganho de peso [129].

Fatores de Risco Não Modificáveis

Esses são fatores que não podem ser alterados, mas são importantes para reconhecer para monitoramento e prevenção precoce:

  • Idade: O risco de ataque cardíaco aumenta com a idade. Homens com mais de 45 anos e mulheres com mais de 55 anos estão em maior risco [130].
  • Sexo: Homens geralmente têm maior risco de ataque cardíaco em idade mais jovem, embora o risco em mulheres aumente após a menopausa [130].
  • Histórico familiar: Ter parentes próximos com doenças cardíacas, especialmente se ocorreram em idade precoce, aumenta o risco. Essa predisposição genética pode influenciar o desenvolvimento de doença arterial coronariana.
  • Raça e etnia: Alguns grupos, como afro-americanos, hispânicos e sul-asiáticos, podem ter maior risco devido a taxas mais altas de hipertensão, diabetes e outros fatores de risco [132]. Essas disparidades são agravadas por determinantes sociais da saúde.

Determinantes Sociais e Desigualdades em Saúde

Disparidades socioeconômicas, raciais e de gênero influenciam significativamente o risco e os desfechos do ataque cardíaco. Indivíduos de baixo status socioeconômico (SSE) enfrentam maior prevalência de doença coronariana, mesmo após ajuste por fatores de risco tradicionais [133]. A pobreza e níveis mais baixos de escolaridade podem dobrar o risco de ataque cardíaco [134].

Comunidades desfavorecidas enfrentam barreiras estruturais, como acesso limitado a cuidados preventivos, alimentos saudáveis, ambientes seguros para atividade física e tratamento de qualidade. Pacientes de comunidades desfavorecidas apresentam desigualdades significativas no manejo e nos desfechos do infarto agudo do miocárdio (IAM), incluindo tratamento tardio, taxas mais baixas de terapia de reperfusão e maior mortalidade [135].

Fatores Populacionais e Tendências Recentes

Entre os principais fatores de risco em nível populacional, a obesidade e a hipertensão mostraram os aumentos mais significativos na prevalência nos últimos anos. Em 2024, cerca de 47,7% dos adultos nos EUA tinham hipertensão, e mais de dois em cada cinco adultos (41,9%) tinham obesidade [136][137]. A obesidade agora supera o tabagismo como um dos principais impulsionadores da morbidade cardiovascular em muitas populações [138].

Embora as taxas de tabagismo tenham diminuído globalmente desde 1990, o tabaco continua a representar uma carga cardiovascular significativa, especialmente em países de baixa e média renda [139]. As políticas de controle do tabaco, incluindo leis de ambientes livres de fumaça e tributação, demonstraram ser as intervenções mais eficazes em nível populacional para reduzir a incidência de ataque cardíaco [10].

Disparidades Raciais e de Gênero

Estudos de coorte e pesquisas nacionais revelam disparidades persistentes:

  • Raça e etnia: Populações negras e hispânicas enfrentam cargas desproporcionais de doenças cardíacas, com maior prevalência de hipertensão, obesidade e diabetes. Pacientes negros são mais propensos a serem hospitalizados em centros com menor desempenho em tratamentos baseados em evidências [141].
  • Gênero: As mulheres têm maior mortalidade após infarto do miocárdio, parcialmente devido à apresentação atípica dos sintomas, levando a diagnósticos tardios e tratamento inadequado [142]. Embora a lacuna de gênero na mortalidade possa estar se estreitando, as mulheres ainda recebem menos procedimentos invasivos como angiografia e revascularização [143].

Estratégias de Intervenção Pública

As intervenções mais eficazes em nível populacional incluem:

  • Políticas de controle do tabaco: Provas robustas mostram que leis abrangentes de ambientes livres de fumaça estão associadas a reduções de 10–15% nas hospitalizações por infarto agudo do miocárdio [144].
  • Regulamentações dietéticas: Políticas de redução de sódio, rotulagem de alimentos e restrições à publicidade de alimentos não saudáveis para crianças demonstraram benefícios mensuráveis na pressão arterial e nos eventos cardiovasculares [145].
  • Programas de triagem em massa: Ao contrário das políticas estruturais, programas de triagem populacional ampla não demonstraram reduzir consistentemente a mortalidade por doenças cardiovasculares e não são recomendados para populações de baixo risco [146].

A abordagem mais eficaz combina intervenções estruturais — como leis antitabagismo, tributação e políticas alimentares — com educação pública e acesso equitativo a cuidados, reduzindo desigualdades e gerando impacto sustentável na carga global de ataques cardíacos.

Disparidades e Saúde Pública

As disparidades socioeconômicas, raciais e de gênero desempenham um papel crucial na incidência, diagnóstico e desfechos de infartos do miocárdio, refletindo profundas desigualdades no sistema de saúde. Estudos baseados em grandes coortes e inquéritos nacionais revelam que indivíduos de status socioeconômico (SES) mais baixo enfrentam risco significativamente maior de sofrer um infarto e apresentam piores prognósticos após o evento. Dados do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES) demonstram que a baixa renda e o baixo nível educacional estão associados de forma independente a uma prevalência mais elevada de doença coronariana, mesmo após ajuste para fatores de risco tradicionais como hipertensão e diabetes [133]. A pobreza e a baixa escolaridade podem dobrar o risco de infarto, em grande parte devido ao acesso limitado a cuidados preventivos, alimentação saudável e ambientes seguros para atividade física [134]. Além disso, pacientes de comunidades desfavorecidas apresentam maiores taxas de reinfarto, acidente vascular cerebral e mortalidade após um infarto agudo do miocárdio (IAM), com atrasos no tratamento e menores taxas de terapia de reperfusão contribuindo para essas disparidades [135].

As disparidades raciais e étnicas são igualmente pronunciadas. Populações minoritárias, particularmente negros e hispânicos, enfrentam uma carga desproporcional de doenças cardíacas. Inquéritos como o NHANES (2011–2018) revelam disparidades persistentes nos fatores de risco cardiovascular, com adultos negros apresentando prevalência mais alta de , e [150]. Análises do registro Get With The Guidelines–Doença Arterial Coronariana da American Heart Association (AHA) mostram que pacientes negros e hispânicos são menos propensos a receber terapias de reperfusão oportuna e outros tratamentos baseados em diretrizes para infarto com supradesnível do segmento ST (STEMI), resultando em maiores taxas de morbidade e mortalidade [151]. Essas disparidades são exacerbadas pelo fato de que pacientes negros são mais propensos a serem hospitalizados em centros com desempenho inferior em tratamentos baseados em evidências, perpetuando desigualdades no nível hospitalar [141]. A análise de dados entre 2000 e 2022 documentou um excesso de mortalidade cardiovascular entre americanos negros, um problema que se agravou durante a pandemia de COVID-19, quando disparidades no manejo e nos desfechos do IAM se tornaram ainda mais evidentes [153].

As disparidades de gênero também impactam significativamente os desfechos. As mulheres historicamente apresentam taxas de mortalidade pós-infarto mais altas do que os homens, especialmente em idades mais jovens, em parte devido a apresentações atípicas que atrasam o diagnóstico e a intervenção [142]. Estudos baseados em grandes registros, como o SWEDEHEART, confirmam que as mulheres são menos propensas a receber procedimentos invasivos como angiografia e revascularização após um IAM [143]. Embora os dados recentes sugiram que essa lacuna de gênero na mortalidade possa estar se estreitando, particularmente entre mulheres mais jovens, os desafios persistem [156]. As disparidades não se limitam a fatores individuais, mas são profundamente enraizadas em fatores estruturais. A AHA identificou o racismo estrutural como um motor fundamental das desigualdades em saúde, moldando o acesso à educação, emprego, habitação e cuidados médicos [9]. Determinantes sociais da saúde, como estabilidade econômica, condições do bairro e segurança alimentar, estão profundamente interligados ao risco cardiovascular [158]. A análise de decomposição mostra que fatores sociais e econômicos explicam uma parcela substancial das disparidades cardiovasculares entre negros e brancos [159].

A tendência global de infartos nos últimos três décadas revela um quadro complexo. Embora as taxas de mortalidade padronizadas por idade tenham diminuído em países de alta renda (HICs) devido a intervenções de saúde pública eficazes e sistemas de saúde melhorados, a carga absoluta de doenças cardiovasculares (DCV) aumentou devido ao crescimento populacional e ao envelhecimento. Países de baixa e média renda (LMICs) agora respondem por mais de 80% das mortes por DCV globalmente [160]. Esses países enfrentam taxas mais altas de eventos cardiovasculares e de mortalidade, atribuídas a acesso limitado a cuidados de emergência, medicamentos essenciais como e , e terapias de reperfusão. Mesmo dentro dos HICs, existem disparidades significativas, com adultos de baixa renda nos Estados Unidos não experimentando os mesmos declínios nas taxas de infarto que grupos de maior renda [161]. A desigualdade geográfica também é evidente, com áreas rurais enfrentando tempos mais longos de resposta de emergência e piores desfechos em comparação com centros urbanos [162].

As intervenções de saúde pública têm demonstrado eficácia variável na redução da incidência de infartos. As políticas de controle do tabaco, incluindo leis de ambientes livres de fumaça, tributação e proibição de publicidade, surgiram como a intervenção mais eficaz em nível populacional. Estudos mostram que leis abrangentes de ambientes livres de fumaça estão associadas a reduções de 10–15% nas hospitalizações por IAM em um ano [144]. A ratificação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (WHO FCTC) está associada a declínios acelerados na prevalência de tabagismo e na mortalidade cardiovascular em 171 países [10]. As regulamentações dietéticas, particularmente aquelas que visam a redução do sódio, também demonstraram benefícios mensuráveis, com políticas de reformulação alimentar resultando em melhorias na pressão arterial e na redução de eventos cardiovasculares [165]. Em contraste, programas de triagem em massa para fatores de risco cardiovascular não demonstraram eficácia consistente na redução da mortalidade por DCV, levando a diretrizes que não apoiam seu uso rotineiro em populações de baixo risco [146].

Para otimizar as campanhas de educação pública e iniciativas de políticas, é essencial adotar uma abordagem multissetorial e focada na equidade. Isso inclui campanhas direcionadas a populações jovens, utilizando plataformas digitais e programas escolares como o Kids Heart Challenge da AHA [167]. Políticas devem abordar os determinantes estruturais, como reformas no ambiente alimentar (por exemplo, rótulos na frente da embalagem, taxação de bebidas açucaradas), planejamento urbano que promova ambientes ativos (por exemplo, infraestrutura para caminhadas e ciclismo) e expansão do acesso a programas de assistência nutricional para promover a segurança alimentar [168]. O envolvimento contínuo com comunidades marginalizadas e a integração de dados sobre determinantes sociais da saúde nas práticas clínicas são passos essenciais para reduzir as disparidades e alcançar a equidade em saúde cardiovascular [169].

Avanços em Pesquisa e Terapias Regenerativas

A pesquisa em terapias regenerativas para a reparação miocárdica após um infarto do miocárdio tem avançado significativamente, com diversas estratégias inovadoras em desenvolvimento. Essas abordagens visam substituir os cardiomiócitos perdidos, reduzir a fibrose cicatricial, restaurar a função contrátil e promover a vascularização no tecido cardíaco danificado. Entre as mais promissoras estão as terapias baseadas em células, a reprogramação in vivo, o uso de vesículas extracelulares e exossomos, além de construtos cardíacos bioengenharizados.

Terapias Baseadas em Células

As terapias celulares continuam sendo um pilar fundamental da medicina regenerativa cardíaca. Diversos tipos celulares estão sendo investigados, incluindo células-tronco pluripotentes induzidas derivadas de cardiomiócitos (iPSC-CMs), que oferecem uma fonte escalável e específica do paciente para novos cardiomiócitos. Estudos recentes demonstram progresso na diferenciação de iPSCs em cardiomiócitos funcionais capazes de integração eletromecânica com o tecido hospedeiro [170]. Ensaios clínicos, como o HECTOR, estão avaliando a segurança e eficácia de cardiomiócitos derivados de células-tronco pluripotentes em pacientes com disfunção ventricular crônica isquêmica [171]. Além disso, células-tronco mesenquimais (MSCs) e células progenitoras cardíacas (CPCs) têm sido testadas em múltiplos ensaios clínicos devido aos seus efeitos parácrinos, propriedades imunomoduladoras e potencial para estimular mecanismos endógenos de reparo [172]. Tecnologias emergentes, como o sistema TargaCell, estão sendo desenvolvidas para melhorar a retenção celular e a eficiência de entrega, permitindo administração direcionada e em alta dose diretamente no coração [173].

Reprogramação In Vivo

Uma estratégia inovadora envolve a reprogramação direta de fibroblastos cardíacos em células semelhantes a cardiomiócitos in situ. Essa abordagem contorna a necessidade de transplante celular, convertendo células formadoras de cicatrizes em células funcionais e contráteis dentro da zona de infarto. Modelos pré-clínicos demonstram que fatores de transcrição, como Gata4, Mef2c e Tbx5 (coquetel GMT), podem induzir essa transdiferenciação, levando à melhora da função cardíaca e redução da fibrose [174]. Pesquisas em curso focam na otimização de vetores de entrega, como vírus adeno-associados (AAVs), e na identificação de moléculas pequenas para aumentar a eficiência e segurança da reprogramação.

Terapia com Exossomos e Vesículas Extracelulares

Os exossomos — vesículas extracelulares em escala nanométrica secretadas por células-tronco — emergiram como uma alternativa livre de células às terapias celulares completas. Eles carregam um conteúdo bioativo (miRNAs, proteínas, lipídios) que modula a inflamação, promove a angiogênese, inibe a apoptose e reduz a fibrose [175]. Estudos pré-clínicos mostram que a terapia com exossomos melhora a função cardíaca após infarto por meio de sinalização parácrina, sem os riscos associados ao transplante celular [176]. Sua estabilidade, baixa imunogenicidade e potencial para engenharia os tornam candidatos atrativos para terapias escaláveis [177].

Construtos Cardíacos Bioengenharizados

Avanços na bioengenharia levaram ao desenvolvimento de enxertos cardíacos tridimensionais (3D), como "placas cardíacas" e músculo cardíaco engenharizado (EHM). Esses construtos combinam iPSC-CMs com scaffolds de biomateriais para formar tecido miocárdico funcional que pode ser implantado cirurgicamente. Notavelmente, enxertos alógenos de músculo cardíaco demonstraram enxertia bem-sucedida, acoplamento eletromecânico e melhora funcional em primatas não humanos e em aplicações humanas iniciais [178]. Esses enxertos alógenos, derivados de células-tronco pluripotentes humanas, são projetados para uso "pronto para uso", representando um grande passo rumo à escalabilidade clínica [178]. Inovações recentes incluem o design guiado por inteligência artificial de placas cardíacas, bioimpressão 4D (materiais responsivos ao tempo) e plataformas "coração-em-um-chip" para testes personalizados [180].

Abordagens Imunomoduladoras

O sistema imunológico desempenha um papel duplo na reparação cardíaca — necessário para a remoção de detritos, mas prejudicial quando desregulado. A entrega de células T reguladoras (Tregs), pós-infarto, adota fenótipos específicos de lesão que promovem a polarização de macrófagos para estados reparadores (M2), reduzem monócitos pró-inflamatórios e potencializam a cicatrização do tecido [181]. O direcionamento de vias imunológicas para criar um microambiente regenerativo é agora reconhecido como um adjunto crítico às terapias baseadas em células [182].

Desafios na Tradução para a Prática Clínica

Apesar dos resultados pré-clínicos promissores, a transição de terapias regenerativas para o cuidado clínico rotineiro enfrenta desafios significativos. Um dos principais obstáculos é a baixa sobrevida das células transplantadas devido à isquemia, inflamação e anóiquise no ambiente pós-infarcto hostil. Menos de 10% das células injetadas sobrevivem além de uma semana [183]. Além disso, a integração eletromecânica de cardiomiócitos enxertados com o tecido hospedeiro permanece um desafio, com riscos de arritmias devido à heterogeneidade elétrica. Produtos derivados de células-tronco pluripotentes carregam riscos de teratoma se células indiferenciadas persistirem, e a rejeição imunológica pode ocorrer mesmo com iPSCs autólogas devido a aberrações epigenéticas [170]. A escala da produção de células ou tecidos clínicos sob boas práticas de fabricação (BPF) é complexa e cara, e as agências reguladoras exigem evidências robustas de segurança, eficácia e mecanismo de ação antes da aprovação. Ensaios clínicos em fase 3, como o PREVENT-TAHA8, visam fornecer evidências definitivas sobre os desfechos clínicos [185]. A colaboração interdisciplinar entre biólogos moleculares, bioengenheiros, imunologistas e clínicos será essencial para superar esses desafios e transformar descobertas laboratoriais em terapias eficazes e amplamente disponíveis para sobreviventes de infarto.

Referências