Axie Infinity é um jogo online baseado em blockchain desenvolvido pela startup vietnamita Sky Mavis, lançado em 2017 [1]. Inspirado em títulos como Pokémon e Magic: The Gathering, combina elementos de jogos de cartas colecionáveis e criação digital, onde os jogadores podem coleção, criação de personagens, batalhas estratégicas e mercado de NFT criaturas chamadas Axie, que são token não fungível verificáveis na blockchain [2]. O jogo opera no modelo modelo play-to-earn, permitindo que os jogadores ganhem criptomoedas através do jogo, com um ecossistema econômico centrado em dois tokens principais: o AXS, um token de governança ERC-20 usado para votações, staking e transações, e o SLP, um token utilizado principalmente para a criação de novos Axies [3]. Inicialmente construído sobre a blockchain Ethereum, o jogo adotou a Ronin, uma blockchain compatível com a EVM desenvolvida para reduzir custos e aumentar a velocidade das transações [4]. Em 2025, foi anunciado que a Ronin retornará como uma solução Layer 2 da Ethereum, aproveitando melhorias em segurança e escalabilidade [5]. O jogo está disponível em computador e dispositivos dispositivos móveis, com acesso através de uma carteira Ronin, e inclui modos como aventura, arena e criação, além de mecânicas de personalização com Rune e Charm [6]. Axie Infinity também enfrentou desafios significativos, incluindo o ataque à rede Ronin, que comprometeu 625 milhões de dólares, e crises econômicas relacionadas à inflação do token SLP e à sustentabilidade do modelo play-to-earn, especialmente em países em desenvolvimento como Filipinas, Brasil e Vietnã, onde muitos jogadores dependiam do jogo como fonte de renda [7]. Para estabilizar sua economia, o projeto implementou reformas como o teto de 44 bilhões de SLP, fundos de recompra e a introdução do token não transferível bAXS [8]. A governança do jogo é parcialmente descentralizada através de uma DAO, onde detentores de AXS votam em propostas, embora o controle operacional ainda recaia fortemente sobre a Sky Mavis [9]. Axie Infinity representa um marco no ecossistema GameFi, integrando DeFi, Lunacia e economias digitais sustentadas por criptomoedas e NFT, demonstrando tanto o potencial quanto os riscos dos jogos baseados em blockchain.
História e Desenvolvimento
Axie Infinity foi lançado em 2017 pela startup vietnamita Sky Mavis, marcando um marco significativo no surgimento dos jogos baseados em blockchain [1]. Inspirado em títulos clássicos como Pokémon e Magic: The Gathering, o jogo combina elementos de jogos de cartas colecionáveis e criação digital, permitindo que os jogadores colecionem, criem, batalhem e troquem criaturas chamadas Axie, que são token não fungível verificáveis na cadeia de blocos [2]. Desde o seu lançamento, o jogo evoluiu de um experimento de nicho para um fenômeno global, especialmente durante a pandemia de COVID-19, quando seu modelo de jogo "play-to-earn" atraiu milhões de jogadores em busca de renda alternativa.
O Modelo Play-to-Earn e o Crescimento Inicial
O sucesso inicial de Axie Infinity foi impulsionado pelo seu modelo modelo play-to-earn, que permite aos jogadores ganharem criptomoedas ao participar de atividades no jogo [12]. Os jogadores ganham o token SLP completando missões diárias, vencendo batalhas em modo PvE (Player versus Environment) e competindo em arenas PvP (Player versus Player) [13]. Esse modelo econômico demonstrou um impacto socioeconômico significativo, especialmente em países em desenvolvimento como Filipinas, Brasil e Vietnã, onde muitos jogadores utilizaram os ganhos para complementar ou mesmo substituir suas rendas familiares [7]. Nas Filipinas, chegou-se a estimar que cerca de 40% dos jogadores do mundo vinham do país, com alguns ganhando mais do que o salário médio local [15].
A Crise Econômica e as Reformas de Tokenomics
Apesar do sucesso inicial, o modelo econômico de Axie Infinity enfrentou sérias dificuldades, principalmente devido à inflação galopante do token SLP. A produção contínua de SLP superou a demanda, especialmente para o processo de criação de novos Axie, levando a uma drástica desvalorização do token e comprometendo a sustentabilidade do sistema [16]. Para combater esse problema, os desenvolvedores implementaram reformas estruturais a partir de 2024. Uma das principais medidas foi a imposição de um teto máximo de 44 bilhões de SLP, além da criação de um fundo de recompra e estabilidade alimentado com USDC, uma stablecoin [8]. O objetivo era estabelecer um sistema deflacionário, com uma meta de redução anual de 2% na oferta de SLP, semelhante a políticas monetárias tradicionais.
A Introdução do bAXS e a Transição para um Modelo Sustentável
Em 2026, Axie Infinity deu um passo ousado com a introdução do token bAXS (bonded AXS), um ativo não transferível vinculado diretamente ao perfil do jogador [18]. O bAXS é ganho através da participação ativa no jogo e pode ser convertido em AXS tradicional após um período de bloqueio. Essa inovação foi projetada para desencorajar o "farming" automatizado por bots e o comércio especulativo, incentivando em vez disso o engajamento autêntico e de longo prazo. Paralelamente, as recompensas em SLP foram desativadas na versão principal do jogo, Axie Infinity: Origins, para reduzir drasticamente a emissão de novos tokens e estabilizar a economia [19].
A Evolução da Infraestrutura: De Ronin Sidechain para Layer 2
A infraestrutura técnica do jogo também passou por uma transformação significativa. Inicialmente construído sobre a blockchain Ethereum, o jogo adotou a Ronin, uma blockchain compatível com a EVM desenvolvida pela Sky Mavis para reduzir custos de transação e aumentar a velocidade [4]. No entanto, o ataque hacker de 2022, que comprometeu 625 milhões de dólares, expôs as vulnerabilidades da arquitetura semi-centralizada da Ronin [21]. Em resposta, a rede foi reestruturada com melhorias de segurança, incluindo um aumento no número de validadores e programas de recompensa por bugs [22]. Em 2025, foi anunciado um plano estratégico para transformar a Ronin em uma solução Layer 2 completa da Ethereum, utilizando tecnologias como zkEVM e OP Stack. Essa migração, prevista para o segundo trimestre de 2026, visa aproveitar a segurança e a descentralização da rede principal da Ethereum, enquanto mantém o alto desempenho necessário para o gaming [5].
O Futuro: De Axie Infinity Classic para Origins
Como parte de sua reestruturação, a Sky Mavis anunciou em 2026 o encerramento da versão clássica de Axie Infinity, reconhecendo que o modelo econômico original não era mais sustentável [24]. O foco do desenvolvimento foi redirecionado para Axie Infinity: Origins, uma versão atualizada com um sistema de combate mais dinâmico e mecânicas de progressão aprimoradas, como Rune e Charm [6]. Essa transição representa uma mudança fundamental do jogo, de um modelo puramente "play-to-earn" para um modelo mais equilibrado de "play-and-earn", onde o valor é gerado pelo engajamento e pela qualidade da experiência de jogo, e não apenas pela produção de tokens [26]. Essas reformas econômicas e técnicas demonstram um esforço contínuo para estabilizar o ecossistema e posicionar Axie Infinity como um projeto mais resiliente no futuro do GameFi.
Modelo de Jogo e Mecânicas
Axie Infinity é um jogo online baseado em blockchain que combina elementos de jogos de cartas colecionáveis, estratégia e RPGs, com um foco central no modelo modelo play-to-earn. O gameplay gira em torno do uso de criaturas digitais chamadas Axie, que são token não fungível únicos, cada um com estatísticas, habilidades e genética específicas. Os jogadores formam equipes de três Axies para participar em batalhas estratégicas, enquanto também podem coletar, criar e trocar esses ativos digitais em um ecossistema econômico sustentado por criptomoedas [2].
Batalhas Estratégicas
O cerne do gameplay de Axie Infinity é o sistema de batalhas estratégicas. Inicialmente, o jogo adotou um modelo de combate por turnos semelhante a títulos como Pokémon e Magic: The Gathering, onde cada Axie utiliza cartas de ataque e defesa determinadas pelas partes do corpo que possui. O sucesso depende da escolha tática das cartas, do gerenciamento de energia e da sincronização dos turnos [28].
Em 2022, foi lançado Axie Infinity: Origins, uma versão atualizada do jogo que transformou o sistema de combate em um formato mais dinâmico, com turnos sequenciais e mecanismas que incorporam elementos de tempo real. Essa evolução aumentou a profundidade estratégica e tornou o jogo mais acessível, mantendo o foco na habilidade e na construção de equipes. A introdução de novos elementos como Rune e Charm permitiu personalizações mais sofisticadas, permitindo que os jogadores otimizem seus Axies para estilos de combate específicos [6].
Modos de Jogo
Axie Infinity oferece múltiplos modos de jogo, proporcionando diferentes formas de engajamento e recompensas:
- Modo Aventura (PvE): Neste modo, os jogadores enfrentam inimigos controlados pela IA, progredindo em uma campanha para ganhar experiência (EXP) e fazer seus Axies evoluírem. Além disso, completar missões no modo PvE permite aos jogadores obter o token SLP, uma moeda essencial para o sistema de criação [30].
- Modo Arena (PvP): Os jogadores competem em tempo real contra outros participantes do mundo todo, visando subir no ranking e ganhar recompensas competitivas, incluindo o token AXS durante temporadas especiais e eventos [30].
- Axie Adventure em Homeland: Lançado em 2024, este novo modo PvE passivo permite que os jogadores façam progresso mesmo quando não estão conectados ativamente, aumentando o acesso e a inclusão para aqueles com tempo limitado [32].
{{Image|A digital battle scene in Axie Infinity showing three cartoonish creatures (Axies) on a fantasy battlefield, using elemental cards to attack each other, with energy bars and turn indicators visible|Cena de batalha no Axie Infinity mostrando três Axies em combate estratégico}
Criação e Personalização de Axies
Um dos pilares do jogo é o sistema de criação (breeding) de novos Axies. Os jogadores podem combinar dois Axies existentes para gerar uma nova criatura NFT, herdando características genéticas dos pais. Esse processo resulta em combinações únicas e potencialmente raras, tornando a criação uma atividade estratégica e econômica central. A criação exige o consumo de tokens SLP e uma taxa em AXS, o que ajuda a controlar a oferta de novos NFTs e equilibrar a economia interna do jogo [2].
A personalização é aprimorada por meio de Rune e Charm, itens que podem ser equipados nos Axies para modificar suas estatísticas e habilidades. Essas melhorias permitem que os jogadores adaptem suas criaturas a diferentes estilos de jogo, como foco em dano, defesa ou suporte, aumentando a profundidade tática e a re-jogabilidade [6].
Economia Integrada e Tokens
O gameplay está profundamente integrado a uma economia baseada em criptomoedas e NFT. Os dois principais tokens do jogo são:
- AXS (Axie Infinity Shards): Um token de governança ERC-20 que permite aos jogadores participar da tomada de decisões sobre o futuro do jogo, como atualizações de mecânicas e alocação de fundos. Também é utilizado em transações no jogo e pode ser obtido através de atividades competitivas [2].
- SLP (Smooth Love Potion): Um token de utilidade obtido principalmente ao jogar, especialmente no modo Aventura e na Arena. O SLP é usado principalmente para a criação de novos Axies, tornando-o essencial para a expansão da coleção do jogador [13].
Todas as transações ocorrem na sidechain Ronin, uma rede compatível com a EVM desenvolvida para oferecer transações mais rápidas e com custos significativamente mais baixos do que a blockchain Ethereum principal [2].
Acessibilidade e Plataformas
Axie Infinity está disponível tanto em computador quanto em dispositivos dispositivos móveis, incluindo iOS e Android, garantindo ampla acessibilidade global. Para começar a jogar, os jogadores precisam criar uma carteira digital, adquirir pelo menos três Axies (geralmente através de compra ou programas de bolsa) e vincular sua carteira ao jogo. Essa estrutura permite que o jogo alcance uma base global de jogadores, especialmente em países em desenvolvimento como Filipinas, Brasil e Vietnã, onde o modelo play-to-earn teve um impacto socioeconômico significativo [38].
Economia e Tokens (AXS e SLP)
Axie Infinity opera com um ecossistema econômico complexo baseado em dois tokens principais: AXS (Axie Infinity Shards) e SLP (Smooth Love Potion). Esses ativos digitais desempenham papéis complementares, sustentando tanto o gameplay quanto a governança do projeto, e são fundamentais para o modelo play-to-earn que define o jogo. A economia interna do jogo é projetada para equilibrar incentivos, controle de inflação e participação da comunidade, embora tenha enfrentado desafios significativos ao longo do tempo [39].
AXS (Axie Infinity Shards): Governança e Valor Estratégico
O token AXS é um ativo ERC-20 que serve como o principal mecanismo de governança descentralizada dentro do ecossistema. Detentores de AXS podem participar ativamente das decisões estratégicas do projeto por meio de uma DAO, votando em propostas que afetam o futuro do jogo, como atualizações de protocolo, alocação do tesouro da comunidade e mudanças nas políticas econômicas [40]. O peso do voto é influenciado tanto pela quantidade de AXS staked (bloqueado) quanto pelo Axie Score, um indicador que mede a contribuição do jogador para a comunidade [41].
Além da governança, o AXS é usado em mecanismos de staking, onde os jogadores bloqueiam seus tokens para receber recompensas periódicas. Esse sistema não apenas incentiva a participação a longo prazo, mas também contribui para a estabilidade da rede ao reduzir a liquidez circulante [42]. O token também pode ser utilizado para realizar transações no marketplace de NFT de Axie Infinity, como a compra de novos Axies ou a participação em vendas especiais. O AXS está disponível tanto na blockchain Ethereum (como ERC-20) quanto na Binance Smart Chain (como BEP-20), aumentando sua acessibilidade e flexibilidade [2].
SLP (Smooth Love Potion): Incentivo ao Gameplay e Controle de Inflação
O SLP é um token de utilidade ganho principalmente através da participação ativa no jogo. Jogadores acumulam SLP completando missões diárias, vencendo batalhas no modo PvE (Aventura) ou no modo PvP (Arena), com limites diários de recompensa, como até 50 SLP por dia na Aventura [44]. O uso principal do SLP é o allevamento de Axies, onde dois Axies são combinados para criar uma nova criatura NFT, um processo que consome tanto SLP quanto AXS, tornando ambos os tokens essenciais para a expansão da coleção de um jogador [45].
Para combater a inflação histórica do SLP, que levou a uma queda acentuada em seu valor, o projeto implementou reformas econômicas significativas. Em 2024, foi estabelecido um teto máximo de 44 bilhões de SLP, introduzido um fundo de recompra e estabilidade alimentado com USDC, e definido um objetivo de deflação de 2% ao ano [8]. Um mecanismo inovador foi criado onde, para cada 10 SLP queimados (usados no breeding), 2 são cunhados e alocados no fundo de estabilidade, ajudando a equilibrar a oferta e a demanda. Essas medidas visam transformar a economia de SLP de inflacionária para deflacionária, aumentando sua sustentabilidade [47].
Evolução das Tokenomics: bAXS e a Transição para um Modelo Sustentável
Em resposta a desafios econômicos persistentes, incluindo a atividade de bots e a insustentabilidade do modelo puramente "play-to-earn", Axie Infinity introduziu em 2026 o token bAXS (bonded AXS). Este é um token não transferível, vinculado diretamente ao perfil do jogador, que é ganho através do gameplay contínuo [48]. O bAXS pode ser convertido em AXS tradicional após um período de bloqueio, com uma taxa dinâmica, o que incentiva o engajamento autêntico e desencoraja o trading especulativo e o farming automatizado [49].
Além disso, as recompensas em SLP foram desativadas na versão Axie Infinity: Origins para reduzir drasticamente a emissão de novos tokens e combater a inflação. Essas reformas, juntamente com a redução de 30% nas emissões de AXS e a desativação da versão clássica do jogo, representam uma transição estratégica de um modelo "play-to-earn" para um modelo mais equilibrado de "play-and-earn", focado na sustentabilidade e na qualidade do gameplay [50]. Essas mudanças resultaram em um aumento significativo no valor do AXS, refletindo uma renovação da confiança do mercado na saúde econômica do projeto [51].
Blockchain e Infraestrutura (Ronin e Ethereum)
Axie Infinity foi inicialmente construído sobre a blockchain Ethereum, uma das redes mais seguras e descentralizadas do ecossistema de criptomoedas, que utiliza o padrão de token ERC-20 para ativos digitais como o AXS [2]. No entanto, a alta demanda por transações e os custos associados ao uso direto da Ethereum — especialmente as chamadas gas fees — tornaram inviável uma experiência de jogo fluida e acessível para milhões de usuários. Para resolver esse problema, a desenvolvedora Sky Mavis criou a Ronin, uma sidechain compatível com a EVM projetada especificamente para o jogo [53].
A Sidechain Ronin: Velocidade, Baixo Custo e Escalabilidade
A Ronin foi lançada em 2020 como uma solução de escalabilidade dedicada ao Axie Infinity, permitindo transações rápidas e com custos extremamente baixos. Enquanto as taxas na Ethereum podem variar significativamente e tornar-se proibitivas durante períodos de congestionamento, na Ronin as gas fees são previsíveis e mínimas, tipicamente em torno de 8,2–8,24 Gwei, o que viabiliza microtransações diárias essenciais para o modelo play-to-earn [54]. Esse avanço foi fundamental para atrair jogadores em países em desenvolvimento, como Filipinas e Brasil, onde o acesso a redes financeiras tradicionais é limitado [7].
A rede utiliza um modelo de consenso chamado Delegated Proof of Stake (DPoS), que permite maior eficiência e velocidade em comparação com o Proof of Work da Ethereum. Com a introdução do hard fork Shillin, o tempo de finalização de blocos na Ronin foi reduzido de 45 segundos para apenas 6 segundos, proporcionando confirmações quase instantâneas e melhorando significativamente a experiência do usuário [56]. Essa otimização foi crucial para suportar as altas cargas de transações geradas por atividades como batalhas, criação de Axie, trocas de NFT e recompensas diárias.
Transição para Layer 2: O Retorno à Ethereum
Em 2025, foi anunciado um marco estratégico na evolução da infraestrutura: a Ronin está retornando como uma solução Layer 2 (L2) oficial da Ethereum [5]. Esse movimento, previsto para ser concluído até o segundo trimestre de 2026, representa uma integração mais profunda com o ecossistema Ethereum, aproveitando melhorias em segurança e escalabilidade. A nova arquitetura da Ronin será baseada em tecnologias como zkEVM (zero-knowledge Ethereum Virtual Machine) e OP Stack, permitindo que as transações sejam processadas fora da cadeia principal (off-chain rollup) e verificadas de forma segura na Ethereum [58].
Essa migração aumenta a capacidade de processamento da rede em até 15 vezes, ao mesmo tempo que herda a robusta segurança da Ethereum. Ao operar como uma Layer 2, a Ronin mantém o desempenho elevado necessário para o gaming, enquanto fortalece sua posição como uma das infraestruturas mais avançadas no setor de blockchain gaming [59]. Além disso, a adoção do protocolo Chainlink CCIP está prevista para melhorar ainda mais a interoperabilidade e a segurança dos pontes entre redes [60].
Segurança, Descentralização e Token RON
Após o ataque de 2022, que comprometeu cerca de 625 milhões de dólares, a Ronin passou por uma reestruturação completa de segurança. O número de validadores foi expandido de 9 para 11, com uma distribuição mais ampla entre entidades independentes, reduzindo o risco de controle centralizado e mitigando a possibilidade de um ataque de 51% [61]. Foram implementados programas de bug bounty de até 1 milhão de dólares, auditorias independentes e sistemas de segurança avançados, como hardware security modules (HSM) e controles multiassinatura [22].
O token nativo da rede, RON, desempenha um papel central na economia da Ronin. Com uma oferta máxima de 1 bilhão de tokens, o RON é usado para pagar taxas de transação, participar do staking e contribuir para a governança descentralizada da rede [63]. A distribuição do RON inclui parcelas para a comunidade (30%), incentivos (25%), Sky Mavis (30%) e um fundo para o ecossistema (15%), refletindo um equilíbrio entre incentivos para os participantes e sustentabilidade do projeto [63].
Ponte Segura e Interoperabilidade
A Ronin mantém uma ponte segura com a Ethereum, permitindo o bridging — ou seja, a transferência de ativos como NFTs e tokens entre as duas redes — de forma confiável e verificável [53]. Essa interoperabilidade é essencial para garantir que os jogadores possam proteger seus ativos digitais na blockchain principal quando necessário, ao mesmo tempo que aproveitam a eficiência da sidechain para o dia a dia do jogo. A segurança dessa ponte foi reforçada após o ataque de 2022, com mecanismos de validação mais robustos e monitoramento contínuo.
Em resumo, a infraestrutura da Ronin representa um pilar fundamental para o funcionamento de Axie Infinity, combinando escalabilidade, baixo custo e velocidade com uma evolução contínua rumo à maior segurança e descentralização. A transição para uma solução Layer 2 da Ethereum posiciona a Ronin como uma das redes mais inovadoras no campo do GameFi, integrando o melhor da tecnologia blockchain com as exigências de um jogo massivo e econômico.
Impacto Socioeconômico Global
O modelo play-to-earn (P2E) de gerou um impacto socioeconômico global significativo, especialmente em países em desenvolvimento, onde o jogo se tornou uma fonte de renda alternativa ou primária para milhares de pessoas. Durante o auge da pandemia de COVID-19, o jogo ofereceu oportunidades econômicas em nações com economias vulneráveis, como Filipinas, Brasil, Vietnã, Indonésia e Peru, atraindo jogadores em busca de rendimentos estáveis em um contexto de crise econômica [16]. O sistema permitia que os jogadores convertessem tempo de jogo em valor real, graças à economia baseada em criptomoedas e NFT, desafiando noções tradicionais de trabalho e entretenimento.
Impacto em Países em Desenvolvimento
Nas Filipinas, o impacto de foi particularmente acentuado, com cerca de 40% dos jogadores do mundo vindo do país. Muitos filipinos participavam como "scholars" (bolsistas), alugando Axie de investidores em troca de uma porcentagem dos ganhos, frequentemente utilizando os rendimentos para sustentar suas famílias [7]. Em alguns casos, os ganhos diários ultrapassavam o salário mínimo local, tornando o jogo uma alternativa viável ao trabalho formal. No entanto, essa dependência econômica tornou-se insustentável quando o valor dos tokens SLP e dos NFT caiu drasticamente devido à inflação interna e à volatilidade do mercado de criptomoedas. Muitos jogadores, que haviam investido em NFTs com dinheiro emprestado ou hipotecado bens, enfrentaram perdas financeiras severas, levando a um exodo em massa do jogo [68].
No Brasil, o modelo P2E também atraiu uma comunidade crescente de jogadores, impulsionada pela expansão do interesse por economias digitais e DeFi. Fóruns como o Brasil Play Games tornaram-se centros de discussão sobre estratégias, riscos e oportunidades, refletindo um engajamento ativo da comunidade [69]. Apesar disso, os jogadores brasileiros enfrentam desafios semelhantes, incluindo riscos de fraude, volatilidade de preços e a dependência de um sistema especulativo que pode se tornar insustentável rapidamente [70].
No Vietnã, país de origem da desenvolvedora Sky Mavis, o impacto direto foi menos documentado, mas o contexto socioeconômico favorece a adoção de modelos digitais de renda. Com um baixo desemprego e um forte crescimento no setor de tecnologia, o país apresenta um terreno fértil para a expansão de jogos baseados em blockchain. A crescente adoção de IA e habilidades digitais entre os trabalhadores cognitivos indica uma cultura tecnológica receptiva a inovações como o P2E [71].
Riscos Econômicos e Sustentabilidade
A economia de baseia-se em dois tokens principais: AXS e SLP. O modelo inicial dependia de um fluxo constante de novos jogadores para sustentar a demanda por NFTs e tokens, funcionando de forma semelhante a um esquema financeiro em pirâmide. A produção ilimitada de SLP, combinada com a queda na demanda por aluguel de Axies, gerou inflação galopante, levando ao colapso do valor do token. O número de usuários ativos despencou de mais de 2,7 milhões em novembro de 2021 para cerca de 52.000 em anos subsequentes, evidenciando a fragilidade do modelo econômico [16].
Além disso, a dependência do mercado de criptomoedas expôs os jogadores a riscos financeiros significativos. O valor de mercado do jogo caiu abaixo de 1 bilhão de dólares em 2023, e o token AXS perdeu mais de 99,5% de seu valor máximo histórico, afetando profundamente os jogadores que dependiam dele como fonte de renda [73]. Essa volatilidade levantou questões éticas sobre a exploração do trabalho lúdico, especialmente em regiões onde o acesso a proteções sociais é limitado.
Questões Éticas e de Trabalho
O modelo de "scholarship" criou uma dinâmica de dependência econômica, onde jogadores menos afortunados trabalham por longas horas em troca de uma parte dos lucros, enquanto os gestores (managers) lucram com o trabalho alheio. Esse fenômeno foi descrito como uma forma de "colonialismo cripto", onde jogadores do Sul Global fornecem trabalho digital para sustentar economias alimentadas por investidores do Norte Global [74]. A ausência de contratos formais, tutele trabalhistas ou mecanismos de resolução de disputas expõe os jogadores a exploração e precariedade.
Regulamentação e Conformidade Fiscal
A falta de regulamentação clara sobre ativos digitais em muitos países gerou incertezas legais para os jogadores. Nas Filippinas, a agência de receita (BIR) declarou que os ganhos com o jogo são tributáveis, exigindo que os jogadores declarem seus rendimentos [75]. Na Itália, os lucros com criptoativos estão sujeitos a uma alíquota de 26% em 2024, podendo aumentar para 33% a partir de 2026 [76]. A partir de 2026, a diretiva europeia DAC8 exigirá que provedores de serviços em criptoativos compartilhem dados fiscais com autoridades, aumentando a rastreabilidade das transações [77].
No Vietnã, a situação é mais complexa: embora a Lei sobre a Indústria da Tecnologia Digital de 2025 tenha reconhecido ativos digitais como propriedade legal a partir de 2026, o setor de jogos P2E ainda opera em uma "zona cinzenta" legal, com restrições ao comércio de itens virtuais [78]. Essa ambiguidade deixa os jogadores expostos a riscos legais e financeiros.
Evolução e Perspectivas Futuras
Em resposta à crise, Sky Mavis implementou reformas significativas na tokenomia do jogo, incluindo um teto de 44 bilhões de SLP, um fundo de recompra e a introdução do token não transferível bAXS, projetado para premiar jogadores ativos e reduzir a especulação [8]. Essas medidas visam transformar o modelo de "play-to-earn" em um modelo mais sustentável de "play-and-earn", onde o valor é gerado por engajamento autêntico, não apenas por produção de tokens.
A transição para o novo título Axie Infinity: Origin e a desativação da versão clássica em 2026 representam um esforço para reconstruir um ecossistema mais equilibrado [24]. O sucesso a longo prazo dependerá da capacidade do projeto de equilibrar inovação, estabilidade econômica e responsabilidade social, especialmente em mercados emergentes onde o jogo teve um impacto profundo.
Governança e Descentralização
Axie Infinity adota um modelo de governança que combina elementos de descentralização com um controle operacional ainda significativo por parte da desenvolvedora Sky Mavis. O sistema é estruturado em torno do token de governança AXS, que permite aos detentores influenciar decisões estratégicas do projeto, como atualizações de gameplay, alocação de recursos do tesouro comunitário e mudanças nas políticas econômicas [81]. A participação na governança ocorre por meio de um portal oficial, onde os usuários conectam sua carteira digital e votam em propostas submetidas pela comunidade ou pela equipe central [41]. O peso dos votos é determinado tanto pela quantidade de AXS em staking quanto por um indicador chamado Axie Score, que mede o engajamento do jogador com a comunidade, buscando mitigar a concentração de poder apenas nos grandes detentores de tokens [83].
Apesar desses mecanismos formais de participação, a governança real de Axie Infinity enfrenta críticas quanto à sua efetiva descentralização. A infraestrutura técnica do jogo, baseada na Ronin, é desenvolvida e gerida principalmente pela Sky Mavis. Inicialmente, a rede Ronin operava com um modelo de consenso chamado Proof of Authority, que dependia de um número limitado de validadores, sendo quatro deles controlados pela própria Sky Mavis. Essa estrutura centralizada foi explorada no grande ataque à rede Ronin, que resultou no roubo de 625 milhões de dólares, expondo uma vulnerabilidade crítica no modelo de segurança [84]. Em resposta, o projeto implementou medidas para aumentar a segurança e a descentralização, como expandir o número de validadores e lançar programas de recompensa para a descoberta de falhas (bug bounty) [22].
Transição para uma Governança Mais Aberta
Em um esforço para fortalecer a credibilidade da governança descentralizada, Axie Infinity anunciou uma transição estratégica para que a Ronin se torne uma solução Layer 2 completa da Ethereum. Este movimento, previsto para ser concluído até o segundo trimestre de 2026, visa integrar a rede mais profundamente ao ecossistema Ethereum, aproveitando sua maior segurança e descentralização [5]. A adoção de tecnologias como zkEVM e OP Stack permitirá que as transações sejam processadas fora da cadeia principal (off-chain) e verificadas de forma segura na EVM, aumentando a escalabilidade sem comprometer a segurança herdada da rede principal [58]. Essa evolução representa um passo significativo em direção a uma infraestrutura mais aberta e permissionless, reduzindo a dependência da Sky Mavis.
Desafios de Equidade e Participação
A eficácia da governança descentralizada de Axie Infinity é influenciada por fatores globais de regulação. Em países como as Filipinas, as autoridades tributárias reconhecem os ganhos do jogo como renda tributável, mas não fornecem um quadro regulatório claro para a governança comunitária [88]. No Vietnã, o governo avançou no reconhecimento legal dos ativos digitais, mas ainda impõe restrições aos serviços de jogo online, criando uma "zona cinzenta" que pode limitar a participação em mercados de NFT e mecanismos de votação [78]. Nos Estados Unidos, a incerteza sobre se tokens como AXS são classificados como valores mobiliários pela SEC gera riscos legais para os participantes da governança, potencialmente inibindo a participação de jogadores norte-americanos [90].
A equidade econômica dentro do sistema de governança também é um desafio. Embora o Axie Score busque democratizar o poder de voto, a participação efetiva ainda tende a ser dominada por grandes detentores de AXS. A dependência do modelo modelo play-to-earn em economias emergentes, como Filipinas e Brasil, expõe jogadores a riscos de volatilidade e potencial exploração, já que suas fontes de renda estão atreladas a um sistema econômico que pode ser alterado por decisões de governança ou flutuações de mercado [91]. A transição da versão clássica do jogo para Axie Infinity: Origins e a eventual desativação do jogo original em 2026 são exemplos de decisões estratégicas que podem desvalorizar ativos e investimentos de jogadores de longa data, sem mecanismos claros de compensação, destacando a tensão entre inovação tecnológica e proteção ao usuário [24]. A verdadeira descentralização, portanto, depende não apenas de ferramentas técnicas, mas também da construção de um ecossistema que garanta justiça distributiva, conformidade com normas emergentes como o regulamento MiCA da União Europeia e mecanismos eficazes de resolução de disputas [93].
Segurança e Incidentes (Ataque de 2022)
Em março de 2022, a rede Ronin, a sidechain dedicada ao jogo Axie Infinity, sofreu um dos maiores ataques cibernéticos da história das criptomoedas, comprometendo aproximadamente 625 milhões de dólares em ativos digitais. Este incidente representou um ponto de virada crítico para o ecossistema, expondo vulnerabilidades estruturais na segurança da infraestrutura blockchain e gerando uma crise de confiança entre jogadores e investidores [21].
O Ataque de Março de 2022
O ataque ocorreu em 23 de março de 2022, quando hackers exploraram uma vulnerabilidade nos mecanismos de consenso centralizados da rede Ronin. Eles conseguiram comprometer os nós validadores, permitindo-lhes executar uma operação de double spend (gasto duplo) através da ponte Ronin-Ethereum. Os ativos roubados incluíram 173.600 ETH e 25,5 milhões de USDC. O incidente só foi descoberto seis dias depois, em 29 de março, quando usuários notaram transações suspeitas [95].
O ataque foi classificado como um ataque de 51%, possível porque a rede Ronin, na época, exigia apenas 5 assinaturas de validação em um total de 9 para confirmar transações. A empresa desenvolvedora, Sky Mavis, controlava 4 desses nós, e os hackers comprometeram um nó terceirizado (Axie DAO) e obtiveram acesso às chaves privadas de um quinto validador, alcançando assim o controle necessário para falsificar transações [96].
Origem do Ataque: Um Sofisticado Phishing
Uma investigação posterior revelou que a infiltração começou meses antes, quando um funcionário da Sky Mavis caiu em uma fraude de phishing por meio de uma oferta de emprego falsa. Isso permitiu que os hackers obtivessem acesso aos sistemas internos e às chaves de validação, expondo os riscos associados à centralização e à gestão de chaves em ambientes blockchain [97].
Consequências Imediatas
O ataque teve repercussões severas:
- Perda de confiança: A comunidade de jogadores e investidores sofreu um forte impacto, com o valor do token nativo AXS despencando e perdendo grande parte de seu pico histórico [24].
- Suspensão da ponte Ronin: A ponte Ronin foi imediatamente desativada para impedir saques não autorizados adicionais.
- Impacto econômico global: O ataque foi considerado o maior hack DeFi da história na época, superando todos os incidentes anteriores [99].
Resposta e Medidas de Segurança Pós-Ataque
Em resposta, a Sky Mavis e a equipe da Ronin implementaram um plano abrangente de recuperação e fortalecimento da segurança:
- Reembolso das vítimas: A Sky Mavis anunciou que iria reembolsar integralmente os fundos perdidos pelos usuários, financiando a recuperação com fundos corporativos, empréstimos e investimentos externos [100].
- Expansão e descentralização dos nós validadores: O número de nós validadores foi aumentado de 9 para 11, com uma distribuição mais ampla entre entidades independentes para reduzir o risco de controle centralizado [61].
- Programa de bug bounty de 1 milhão de dólares: Para incentivar a descoberta de vulnerabilidades, a Ronin lançou um programa de recompensas para pesquisadores de segurança [102].
- Melhorias na gestão de chaves: Foram implementados procedimentos mais rigorosos para a custódia e rotação de chaves privadas, incluindo sistemas de segurança de hardware (HSM) e controles multiníveis [103].
- Nova ponte e auditorias de segurança: Uma nova ponte Ronin foi projetada e testada com auditorias independentes, shadowforks e simulações de ataque para garantir resiliência [22].
- Colaboração com autoridades: Autoridades internacionais, incluindo as norueguesas, recuperaram 5,7 milhões de dólares dos fundos roubados e congelaram outros 40 milhões, demonstrando a crescente capacidade de rastreamento de fluxos de criptomoedas [105].
Restauração da Confiança e Perspectivas Futuras
Em 2025, a Ronin publicou um relatório pós-mortem confirmando que todos os fundos dos usuários estão em fase de restauração e que a rede foi fortalecida com mecanismos de segurança avançados [106]. Além disso, em 2025 foi anunciado um plano de migração para o protocolo Chainlink CCIP, visando melhorar ainda mais a segurança e a interoperabilidade [60].
Apesar do ataque ter marcado um momento crítico para o Axie Infinity, a resposta da equipe demonstrou um compromisso concreto em restaurar a confiança. No entanto, o incidente deixou uma marca duradoura, lembrando a todo o ecossistema blockchain a importância da descentralização, segurança operacional e resiliência das pontes cross-chain [108]. A transição da Ronin para uma solução Layer 2 da blockchain Ethereum também é vista como um passo estratégico para aproveitar a segurança e descentralização da rede principal [5].
Evolução e Sustentabilidade Futura
A trajetória de Axie Infinity é marcada por uma constante evolução em resposta a desafios econômicos, técnicos e sociais. Após um período de crescimento explosivo seguido por uma severa crise de sustentabilidade, o projeto tem implementado uma série de reformas estruturais com o objetivo de estabilizar sua economia, fortalecer sua infraestrutura e redefinir seu modelo de valor. Essas mudanças refletem uma transição de um modelo puramente especulativo para um ecossistema mais equilibrado, onde o engajamento autêntico e a governança comunitária são priorizados.
Reformas Econômicas e Tokenômicas
A economia interna de Axie Infinity enfrentou uma grave crise de inflação, principalmente devido ao excesso de emissão do token SLP (Smooth Love Potion), que se desvalorizou rapidamente com a queda da demanda por novos Axies. Para combater esse problema, os desenvolvedores da Sky Mavis implementaram uma série de medidas corretivas. Em 2024, foi introduzido um teto máximo de 44 bilhões de SLP, além de um fundo de recompra e estabilidade alimentado com USDC. Este mecanismo funciona de forma que, para cada 10 SLP queimados no processo de criação de novos Axies, 2 SLP são cunhados e destinados ao fundo, criando uma dinâmica deflacionária [8]. A meta declarada é uma deflação anual de 2%, inspirada em políticas monetárias centralizadas, para restaurar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Uma das inovações mais significativas foi a introdução do token bAXS (bonded AXS) em 2026. O bAXS é um token não transferível, vinculado diretamente ao perfil do jogador e obtido através do engajamento no jogo. Ele pode ser convertido em AXS (Axie Infinity Shards), o token de governança, mediante um processo de "bonding" com uma taxa dinâmica. Essa estrutura tem múltiplos objetivos: premiar jogadores ativos e de longo prazo, desincentivar o "farming" automatizado por bots e reduzir a pressão de venda no mercado, estabilizando assim o valor do AXS [18]. A combinação dessas reformas — o teto do SLP, o fundo de estabilidade e o bAXS — representa uma mudança de paradigma de um modelo inflacionário para um sistema mais controlado e sustentável.
Transição Técnica e de Segurança: O Retorno de Ronin
A infraestrutura técnica de Axie Infinity também está passando por uma transformação fundamental. A blockchain Ronin, inicialmente uma sidechain desenvolvida pela Sky Mavis para reduzir custos e aumentar a velocidade das transações, enfrentou um dos maiores ataques da história das criptomoedas em 2022, com o roubo de 625 milhões de dólares. Este incidente expôs as vulnerabilidades da semi-centralização, pois a rede dependia de um número limitado de validadores, dos quais a própria Sky Mavis controlava uma parte significativa [61].
Em resposta, a Ronin implementou medidas robustas de segurança, incluindo a expansão do número de validadores, a introdução de um programa de bug bounty de 1 milhão de dólares e melhorias nos sistemas de custódia de chaves. O passo mais estratégico, anunciado para 2025 e concluído no segundo trimestre de 2026, foi a migração da Ronin para uma solução Layer 2 completa sobre a blockchain Ethereum, utilizando tecnologias como OP Stack e zkEVM. Esta "volta para casa" permite que a Ronin processe transações fora da cadeia (off-chain rollup) e as verifique de forma segura na rede principal. Isso combina a alta escalabilidade e baixas taxas de transação da Ronin com a segurança e descentralização herdadas da Ethereum, aumentando a capacidade de processamento em até 15 vezes [5]. Esta evolução é crucial para a sustentabilidade futura, pois fortalece a confiança no ecossistema e o alinha com as melhores práticas do setor.
Redefinição do Modelo de Valor: De "Play-to-Earn" para "Play-and-Earn"
O modelo original de "play-to-earn" (P2E) de Axie Infinity, que permitia aos jogadores ganhar renda real, demonstrou ser insustentável a longo prazo, especialmente em países em desenvolvimento como as Filipinas e o Brasil, onde muitos jogadores se endividaram com a queda do valor dos tokens. A dependência de um fluxo constante de novos jogadores para financiar os retornos dos existentes criou uma dinâmica semelhante a um esquema financeiro, que colapsou com a desaceleração do mercado de criptomoedas.
Diante disso, o projeto está se reestruturando para um modelo mais equilibrado, frequentemente descrito como "play-and-earn" ou "sustainable gaming". Este novo paradigma busca equilibrar a monetização com a qualidade do gameplay. A desativação das recompensas em SLP na versão Axie Infinity: Origins em 2026 foi uma medida drástica para combater o "bot farming" e reduzir a inflação, forçando os jogadores a se concentrarem em mecânicas de jogo mais envolventes e menos em atividades automatizadas. A introdução do bAXS reforça esse objetivo, vinculando as recompensas ao engajamento e à reputação do jogador, em vez de simplesmente ao tempo de jogo. A descontinuação planejada da versão clássica do jogo em junho de 2026 sinaliza uma clara intenção de deixar para trás o modelo econômico insustentável e se concentrar em uma experiência de jogo mais divertida e equilibrada.
Perspectivas e Desafios Futuros
As reformas implementadas geraram um impacto positivo imediato, com o preço do token AXS aumentando mais de 200% em 2026, refletindo uma renovação da confiança do mercado. No entanto, a sustentabilidade a longo prazo de Axie Infinity ainda enfrenta desafios significativos. A volatilidade inerente aos mercados de criptomoedas continua a ser um risco estrutural, e a capacidade do projeto de atrair e reter jogadores sem depender de ganhos financeiros rápidos é a principal prova de seu sucesso futuro. Além disso, a governança do jogo, apesar dos esforços para descentralizá-la, ainda recai fortemente sobre a Sky Mavis, e a verdadeira participação democrática da comunidade, especialmente em contextos com menor acesso, permanece um desafio. O sucesso de Axie Infinity como um pilar do GameFi dependerá da sua capacidade de manter um equilíbrio delicado entre inovação econômica, segurança técnica e um foco central no valor do jogo.