Coqueluche, também conhecida como tosse convulsa ou pertússis, é uma infeksi bakteri altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que afeta principalmente o trato respiratório. A doença se caracteriza por uma tosse intensa e paroxística, frequentemente seguida por um som agudo ao inspirar, conhecido como "guincho" ou whoop, além de vômitos e dificuldade respiratória [1]. A transmissão ocorre por meio de tetesan pernapasan expelidas ao tossir, espirrar ou falar, com elevada taxa de contágio, especialmente em ambientes fechados [2]. Os sintomas evoluem em três fases: catarral, paroxística e de convalescença, sendo os lactentes, especialmente menores de seis meses, os mais vulneráveis a complicações graves como apnea, pneumonia e ensefalopati, com risco elevado de óbito [3]. A prevenção baseia-se principalmente na vaksinasi, com esquemas incluídos no Kalender Vaksinasi Nasional do Brasil, como a vaksin pentavalen para crianças e a vaksin dTpa para gestantes, adolescentes e adultos [4]. A vacinação materna, aplicada entre a 20ª e a 36ª semana de gestação, é uma estratégia-chave para proteger recém-nascidos por meio da transferência de anticorpos [5]. O diagnóstico pode ser desafiador, especialmente em casos atípicos, e depende de métodos laboratoriais como PCR, kultur bakteri, e sorologi, com maior eficácia quando realizados nos primeiros dias de sintomas [6]. O tratamento envolve o uso de antibióticos como azitromisin, que reduzem a transmissão e previnem complicações, além de quimioprofilaxia para contatos próximos [7]. A reemergência da doença em países lusófonos, como Brasil e Portugal, está associada à queda na cobertura vacinal, hesitação vacinal, desinformação e possíveis mudanças genéticas em cepas de Bordetella pertussis, exigindo vigilância epidemiológica robusta e políticas públicas de imunização equitativas [8].
Definição e Agente Causador
A coqueluche, também conhecida como tosse convulsa ou pertússis, é uma infeksi bakteri altamente contagiosa que afeta o trato respiratório superior, incluindo nariz, garganta, traqueia e brônquios [1]. A doença é causada pela bactéria Bordetella pertussis, um cocobacilo gram-negativo que coloniza o epitélio respiratório e libera toxinas responsáveis pelos sintomas característicos [10]. A transmissão ocorre por meio de tetesan pernapasan expelidas durante tosse, espirro ou fala, com elevada taxa de contágio, podendo atingir até 90% dos contactantes próximos em ambientes fechados [2].
Agente Etiológico: Bordetella pertussis
Bordetella pertussis é o agente etiológico exclusivo da coqueluche em humanos, pertencente ao gênero Bordetella da família Alcaligenaceae. A bactéria adere às células ciliadas do epitélio respiratório por meio de fatores de virulência como a hemaglutinina filamentosa (FHA) e as fimbria, facilitando a colonização e evitando a eliminação por meio do transporte mucociliar [12]. Após a adesão, B. pertussis produz diversas toxinas que desempenham papéis cruciais na patogênese da doença, incluindo a toksin pertussis e a toksin adenilat siklase, ambas responsáveis pela inflamação local, danos ao epitélio e supressão da resposta imunológica [13].
Mecanismos de Patogenicidade
A virulência de Bordetella pertussis está fortemente associada à produção de toxinas que interferem nas funções celulares do hospedeiro. A toksin pertussis atua como uma toxina do tipo AB, modificando proteínas G inibitórias (Gi) nas células-alvo e levando ao aumento persistente dos níveis de AMP siklik, o que resulta em disfunção celular, inflamação das vias aéreas e tosse paroxística [14]. Além disso, essa toxina inibe a migração de leukosit, especialmente neutrófilos, causando leucocitose sanguínea marcante, mas com falha na chegada dessas células ao foco da infecção [13].
Outra toxina-chave é a toksin adenilat siklase (CyaA), que se liga a integrinas em células imunes como macrófagos e neutrófilos, elevando os níveis intracelulares de AMP cíclico e suprimindo a fagocitose, a destruição bactericida e a ativação de sel T [16]. Essa ação imunossupressora permite a persistência bacteriana nas vias respiratórias e facilita a transmissão para novos hospedeiros. A sinergia entre essas toxinas é fundamental para a alta transmissibilidade e gravidade da coqueluche, especialmente em bayi não vacinados [17].
Apresentação Clínica Inicial e Evolução da Doença
Os sintomas iniciais da coqueluche são semelhantes aos de um resfriado comum, caracterizando a chamada fase catarral, que dura de uma a duas semanas. Nessa fase, os sinais incluem coriza, tosse leve ou seca, demam baixa ou ausente, olhos lacrimejantes e mal-estar geral [18]. Embora os sintomas sejam leves, essa é a fase mais contagiosa da doença. Posteriormente, a infecção evolui para a fase paroxística, marcada por acessos intensos e repetidos de tosse, frequentemente seguidos por um som inspiratório agudo conhecido como "guincho" ou whoop, além de vômitos e dificuldade respiratória [19].
Em neonatus e lactentes, especialmente menores de seis meses, a coqueluche pode se apresentar de forma atípica, com pausas na respiração (apneia) como principal manifestação, em vez dos paroxismos de tosse. Essa forma atenuada é particularmente perigosa, pois pode evoluir rapidamente para complicações graves como pneumonia, ensefalopati e morte [3]. A alta vulnerabilidade dessa faixa etária está relacionada à imaturidade do sistema respiratório e à ausência de imunidade ativa, tornando essencial a proteção indireta por meio da vaksinasi ibu hamil [21].
Sinais Clínicos e Fases da Doença
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, evolui em três fases distintas: catarral, paroxística e de convalescença. Cada estágio apresenta um conjunto específico de sinais clínicos, com intensidade progressiva e risco crescente de complicações, especialmente em lactente e neonato. A transmissão ocorre principalmente por meio de tetesan pernapasan, sendo altamente contagiosa, especialmente durante as fases iniciais da infecção [3].
Fase Catarral (1 a 2 semanas)
Esta é a fase inicial da doença, que se assemelha a um resfriado comum e dura cerca de uma a duas semanas. Apesar da gravidade aparente ser leve, é a fase mais contagiosa da infecção. Os principais sinais clínicos incluem:
- coriza (nariz escorrendo)
- batuk ringan ou seca
- demam ringan ou ausência de febre
- perasaan umum yang buruk
- sering lupa
- mata berair
A suspeita clínica nesta fase é difícil, pois os sintomas são inespecíficos. No entanto, a alta transmissibilidade exige atenção especial em ambientes com contato próximo, como escolas e residências [18]. A detecção precoce nesta fase é crucial para iniciar o tratamento com antibióticos, como azitromisin, que reduz a transmissão e previne complicações [7].
Fase Paroxística (2 a 6 semanas)
Esta fase é marcada pela intensificação dos sintomas e pela presença de crises de tosse característica. A tosse evolui para acessos rápidos e repetitivos, conhecidos como paroxismos, que podem ocorrer até 30 vezes por dia, especialmente à noite. Os principais sinais clínicos nesta fase são:
- serangan batuk cepat dan berulang, sem pausa para respirar
- suara inspirasi akut característico, conhecido como "guincho" ou whoop, que ocorre quando o paciente tenta respirar após um paroxismo
- vomit setelah batuk frequentes, especialmente após os acessos
- sianosis, com coloração azulada nos lábios e rosto devido à falta de oxigênio
- protrusi lidah, lacrimejamento e saliência dos olhos durante as crises
- kesulitan bernapas
Em bayi e lactente, a apresentação pode ser atípica. A tosse pode ser menos evidente, mas ocorrem frequentemente apnea, com pausas na respiração que representam um risco grave e podem levar a gagal napas [25].
Fase de Convalescença (várias semanas a meses)
Nesta fase final, a frequência e a intensidade das crises de tosse diminuem gradualmente. No entanto, a tosse pode persistir por semanas ou até meses, especialmente quando desencadeada por outras infeksi pernapasan ou irritantes ambientais, como fumaça ou poeira. A recuperação é lenta, mas o paciente deixa de ser contagioso após o uso adequado de antibiotik ou, naturalmente, após cerca de três semanas do início da tosse paroxística [26].
Apesar da melhora clínica, o risco de complicações ainda existe, especialmente em pacientes com comorbidades. A tosse persistente pode levar a esforços expiratórios intensos, causando complicações como hematom subkutan, prolapsus rektum e pneumotoraks [27].
Sinais Clínicos em Neonatos e Lactentes
Em neonatos e lactentes, especialmente menores de seis meses, a coqueluche apresenta um quadro clínico mais grave e atípico. Os principais sinais incluem:
- apnea como manifestação predominante, muitas vezes sem tosse prévia
- batuk paroksismal com ou sem o som de "guincho"
- vomit setelah batuk e dificuldade para se alimentar
- sianosis e rubicundez facial durante os acessos
- gejala tidak spesifik, como febre baixa ou ausência de febre
A imaturidade do sistem pernapasan e a ausência de imunidade ativa explicam a gravidade do quadro nessa faixa etária [28]. A vaksinasi ibu hamil com a vacina vaksin dTpa entre a 20ª e a 36ª semana de gestação é a estratégia mais eficaz para proteger o recém-nascido nos primeiros meses de vida [21].
Complicações Graves
Se não tratada, a coqueluche pode evoluir para complicações graves, principalmente em crianças menores de um ano. As mais comuns incluem:
- pneumonia, uma das principais causas de hospitalização e óbito
- apnea e hipoksia, que podem levar a lesão cerebral hipóxico-isquêmica
- ensefalopati, decorrente da hipóxia cerebral aguda
- kejang e hemiplegia
- otitis media, que pode resultar em perda auditiva
- gagal napas e parada respiratória
Em lactentes não vacinados, a coqueluche não tratada apresenta alta taxa de letalidade, podendo chegar a 1% em bebês menores de dois meses [30]. A prevenção por meio da vaksinasi e o diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada à doença [31].
Transmissão e Período de Contágio
A coqueluche é uma infecção bacteriana altamente contagiosa, cuja transmissão ocorre principalmente por meio de tetesan pernapasan expelidas no ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala [2]. O agente causador, a bactéria Bordetella pertussis, é extremamente eficiente em se espalhar, com taxa de infecção superior a 80% entre contatos próximos não imunes, especialmente em ambientes fechados e com alta densidade populacional [33]. A transmissão por objetos contaminados é considerada rara, reforçando o papel do contato direto e da inalação de partículas suspensas no ar como vias principais de disseminação [33].
Modos de Transmissão e Fatores de Risco
A transmissão da coqueluche é facilitada pela alta contagiosidade da bactéria e pela natureza prolongada do período de contágio. Ambientes com aglomeração, como escolas, creches, transportes públicos e residências, são focos comuns para surtos, especialmente quando a cobertura vacinal é baixa [35]. Adolescentes e adultos, muitas vezes com sintomas leves ou atípicos, podem atuar como reservatórios silenciosos da infecção, transmitindo a bactéria para lactentes não vacinados, que são os mais vulneráveis a complicações graves [36]. Essa dinâmica é particularmente preocupante em contextos urbanos com alta densidade populacional, onde a circulação intensa de pessoas favorece a disseminação rápida do patógeno [35].
Período de Incubação e Contágio
O período de incubação da coqueluche varia entre 5 e 21 dias, com média de 7 a 10 dias após a exposição ao agente infeccioso [38]. O período de contágio é mais intenso durante a fase catarral, a primeira etapa da doença, que se assemelha a um resfriado comum, com sintomas como coriza, tosse leve e febre baixa. Apesar da gravidade dos sintomas ser leve nesta fase, ela é a mais contagiosa [3]. A pessoa infectada pode transmitir a bactéria desde o início dos sintomas até cerca de três semanas após o início da tosse paroxística, especialmente se não for tratada com antibiotik adequados [38].
O uso de antibióticos, como azitromisin, reduz drasticamente o período de contágio. Após cinco dias de tratamento com macrolídeos, a pessoa deixa de ser transmissível, o que é crucial para o controle de surtos, especialmente em ambientes como unidades neonatais e creches [41]. Em contrapartida, sem tratamento antibiótico, a transmissão pode persistir por até três semanas, contribuindo para a disseminação sustentada da doença na comunidade [38].
Padrões Sazonais e Ciclos de Transmissão
A coqueluche apresenta um comportamento cíclico, com picos de incidência a cada três a cinco anos, fenômeno observado tanto no Brasil quanto em outros países lusófonos como Portugal [43]. Esses ciclos estão relacionados ao acúmulo de indivíduos suscetíveis devido à diminuição da imunidade natural ou vacinal ao longo do tempo, especialmente em adolescentes e adultos que não receberam doses de reforço com a vaksin dTpa [8]. A reemergência da doença após a pandemia de COVID-19 foi agravada pela queda nas coberturas vacinais e pela interrupção dos serviços de imunização, criando um cenário propício para novos surtos [45]. A vigilância epidemiológica contínua é essencial para detectar precocemente esses picos e orientar campanhas de vacinação de reforço, especialmente em áreas com aumento de casos [41].
Prevenção por Vacinação
A prevenção da coqueluche depende fundamentalmente da vaksinasi, considerada a estratégia mais eficaz para controlar a transmissão da doença e proteger os grupos mais vulneráveis, especialmente recém-nascidos e lactentes. A imunização induz resposta imune contra a bactéria Bordetella pertussis, reduzindo significativamente a incidência, gravidade e mortalidade da infecção [47]. A vacinação está integrada ao Kalender Vaksinasi Nasional do Brasil e em programas semelhantes em outros países de língua portuguesa, como Portugal e nações africanas lusófonas [4].
Vacinas Utilizadas e Esquemas de Imunização
No Brasil, duas principais vacinas são utilizadas para proteger contra a coqueluche: a vaksin pentavalen e a vaksin dTpa. A vacina pentavalente (DTP-HB-Hib) é administrada em crianças a partir de 2 meses de idade e protege contra cinco doenças: difteri, tetanus, coqueluche, hepatitis B e Haemophilus influenzae tipo b [5]. O esquema básico inclui três doses aos 2, 4 e 6 meses, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos [2].
A vacina dTpa (dupla bacteriana acelular do tipo adulto) é indicada para adolescentes, adultos e especialmente para gestantes, com o objetivo de proteger o recém-nascido por meio da transferência passiva de antibodi [51]. A dose é recomendada entre a 20ª e a 36ª semana de gestação, preferencialmente entre a 27ª e a 36ª semana, em todas as gestações, mesmo que a mulher já tenha sido vacinada anteriormente [52]. A vacinação de gestantes demonstrou reduzir o risco de coqueluche em lactentes menores de 2 meses em mais de 90% [53].
Eficácia das Vacinas e Manutenção da Imunidade
A eficácia da vacina DTaP (versão acelular) após o esquema completo é estimada entre 80% e 85% na prevenção da coqueluche clássica em crianças [51]. No entanto, a proteção diminui ao longo do tempo — fenômeno conhecido como waning immunity — com a eficácia caindo significativamente após três a cinco anos [55]. Por isso, doses de reforço com a vacina Tdap são recomendadas na adolescência (aos 11–12 anos) e na vida adulta, com dose única a cada 10 anos [56].
A vacina dTpa em gestantes é altamente eficaz, com eficácia de 83,1% na prevenção da doença em lactentes [52]. A segurança da vacina durante a gestação é bem estabelecida, sem aumento de riscos de parto prematuro, baixo peso ao nascer ou malformações congênitas [58]. A imunidade coletiva depende de coberturas vacinais elevadas, geralmente acima de 95%, devido à alta transmissibilidade da Bordetella pertussis [59].
Estratégia de Cocooning e Desafios de Adesão
A estratégia de cocooning (ou "casulo") consiste na vacinação de todos os conviventes próximos ao recém-nascido — pais, irmãos, avós e cuidadores — para criar uma barreira imunológica ao redor do bebê [60]. Embora teoricamente eficaz, sua implementação enfrenta desafios práticos, como hesitação vacinal, dificuldades logísticas de acesso e baixa adesão, especialmente em contextos urbanos com desinformação disseminada pelas redes sociais [61].
A vacinação materna é atualmente considerada mais eficaz que o cocooning isolado, pois garante proteção direta ao feto. No entanto, a combinação das duas abordagens potencializa a proteção neonatal, especialmente em famílias com múltiplos cuidadores [62]. A queda na cobertura vacinal no Brasil, com taxas de imunização infantil caindo para 64,4% em 2021, compromete diretamente a efetividade dessas estratégias [63].
Desafios na Equidade e Acesso à Vacinação
Manter coberturas vacinais adequadas enfrenta desafios distintos entre áreas urbanas e rurais. Em contextos urbanos, os principais obstáculos são a hesitação vacinal, desinformação e esquecimento, agravados pela pandemia de COVID-19, que interrompeu serviços de imunização e aumentou a desconfiança em vacinas [64]. Em áreas rurais, as barreiras são estruturais: distância geográfica, falta de transporte, escassez de profissionais de saúde e problemas na cadeia de frio para armazenamento das vacinas [35].
Em países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, a cobertura da vacina DTP3 (três doses) em crianças de um ano foi estimada em apenas 69% em 2023, bem abaixo do recomendado [66]. A subnotificação, ausência de diagnóstico laboratorial e limitações nos sistemas de vigilância agravam o cenário, dificultando a detecção precoce de surtos [67].
Impacto da Vacinação Materna e Necessidade de Estratégias Integradas
A vacinação materna com dTpa é a intervenção mais eficaz para prevenir a coqueluche neonatal, reduzindo significativamente a incidência em menores de um ano [68]. Estudos no Brasil entre 2008 e 2018 confirmaram sua associação com queda na hospitalização e mortalidade por coqueluche [69]. A vacinação em gestantes, combinada com o esquema infantil completo e doses de reforço em adolescentes e adultos, forma a base de uma estratégia integrada de controle da doença.
Apesar dos avanços, o ressurgimento da coqueluche em 2024 e 2025, com mais de 7.400 casos confirmados no Brasil, está diretamente ligado à queda na cobertura vacinal, hesitação e desigualdades no acesso [70]. A vigilância epidemiológica contínua, o combate à desinformação e o fortalecimento do Programa Nasional Imunisasi são essenciais para garantir proteção equitativa e sustentável [71].
Diagnóstico Laboratorial
O diagnóstico laboratorial da coqueluche é essencial para confirmar a infecção, especialmente em casos atípicos ou em pacientes previamente vacinados, onde os sinais clínicos podem ser menos evidentes. A confirmação laboratorial permite o início precoce do tratamento com antibióticos, a implementação de medidas de controle da transmissão e a notificação adequada para os sistemas de surveilans epidemiologi, garantindo respostas rápidas a surtos. Os principais métodos utilizados incluem a PCR, a kultur bakteri e a sorologi, cada um com vantagens e limitações que variam conforme o estágio da infecção [6].
Métodos Diagnósticos e Suas Aplicações Clínicas
A escolha do método diagnóstico depende criticamente do tempo decorrido desde o início dos sintomas, do histórico vacinal do paciente e da disponibilidade de recursos laboratoriais. A infecção por Bordetella pertussis evolui em três fases — catarral, paroxística e de convalescença — e a sensibilidade dos testes varia significativamente ao longo desse período [73].
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase)
A PCR é o método mais sensível e amplamente utilizado para o diagnóstico da coqueluche, especialmente nas primeiras quatro semanas após o início da tosse. Com sensibilidade entre 90% e 99%, a PCR detecta o DNA de Bordetella pertussis em amostras de swab ou aspirado nasofaríngeo, mesmo em quantidades reduzidas ou após o uso de antibióticos [74]. Sua especificidade é próxima de 100%, tornando-a altamente confiável para confirmação diagnóstica [75].
A principal vantagem da PCR é sua rapidez, com resultados disponíveis em aproximadamente duas horas, permitindo intervenção clínica e epidemiológica imediata [76]. No entanto, a sensibilidade diminui após três a quatro semanas de sintomas, e a positividade pode persistir por semanas após a cura clínica, dificultando a distinção entre infecção ativa e resquícios nucleicos [77]. A PCR é o método de escolha recomendado pelo Pusat Pengendalian dan Pencegahan Penyakit (CDC) e pelo Ministério da Saúde do Brasil para diagnóstico precoce [6].
Cultura Bacteriana
A kultur bakteri de Bordetella pertussis a partir de swab nasofaríngeo é historicamente considerada o padrão-ouro diagnóstico devido à sua especificidade de 100% [79]. A cultura permite o isolamento do agente viável, essencial para testes de susceptibilidade antimicrobiana e para estudos de vigilância molecular, como o monitoramento de cepas emergentes [80].
No entanto, sua sensibilidade é limitada, variando entre 12% e 60%, e depende fortemente da qualidade da coleta, do transporte adequado (meio de Regan-Lowe) e do tempo de coleta — idealmente nas primeiras duas semanas de sintomas [81]. O tempo de crescimento bacteriano pode levar até 7–10 dias, atrasando o diagnóstico. Além disso, o uso prévio de antibióticos compromete significativamente a viabilidade do microrganismo em cultura [79].
Sorologia
A sorologi é indicada principalmente em fases tardias da infecção (após 2–4 semanas do início da tosse), quando métodos diretos como PCR e cultura já apresentam baixa sensibilidade. A sorologia detecta anticorpos séricos contra antígenos de B. pertussis, especialmente a toksin pertussis (PT), com foco na medição de IgG anti-PT [73].
A detecção de IgA pode ser útil para identificar infecção natural, pois esses anticorpos são pouco induzidos pela vacinação [84]. No entanto, a interpretação da sorologia é complexa em populações vacinadas, onde anticorpos IgG podem refletir imunização recente em vez de infecção ativa. Além disso, há falta de padronização entre ensaios comerciais e valores de corte, limitando sua aplicabilidade em diagnóstico individual [85].
Desafios no Diagnóstico de Casos Atípicos
O diagnóstico clínico da coqueluche é particularmente desafiador em crianças previamente vacinadas, que frequentemente apresentam quadros atípicos com tosse prolongada, mas sem os paroxismos clássicos ou o som de "guincho" inspiratório [86]. A vacinação com vacinas acelulares (como DTaP) modifica a apresentação clínica, levando a sintomas mais leves e menos específicos, o que aumenta o risco de subdiagnóstico e atraso no tratamento [87].
Nesses casos, o diagnóstico diferencial deve considerar outras causas de tosse persistente, como infecções virais (por exemplo, virus sincitial pernapasan), asma, reflujo gastroesofágico e infecções por outras espécies do gênero Bordetella, como B. parapertussis e B. holmesii [88]. A confirmação laboratorial é, portanto, fundamental para o manejo adequado e a contenção da transmissão.
Recomendações por Estágio da Infecção
| Estágio Clínico | Método Recomendado | Justificativa |
|---|---|---|
| Fase catarral (0–2 semanas) | ou [[cultura | |
| Fase paroxística (2–4 semanas) | (preferencial) | |
| Após 4 semanas | ||
| Adultos/adolescentes com tosse prolongada | ou [[PCR tardia |
A coleta adequada da amostra (swab nasofaríngeo com fio de náilon ou aspirado) é crítica para a acurácia de todos os métodos, especialmente para PCR e cultura [6]. A integração desses métodos, conforme o estágio da infecção, permite diagnóstico preciso, manejo clínico adequado e controle eficaz da transmissão, especialmente em contextos de surtos [3].
Tratamento e Complicações
O tratamento da coqueluche, infecção bacteriana causada por Bordetella pertussis, é essencial para reduzir a transmissão, prevenir complicações graves e minimizar a morbimortalidade, especialmente em lactentes. A abordagem terapêutica envolve o uso de antibióticos, manejo clínico de suporte e medidas de quimioprofilaxia para contatos próximos. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para complicações respiratórias, neurológicas e sistêmicas, com risco elevado de hospitalização e óbito em recém-nascidos e crianças pequenas infeksi bakteri.
Tratamento Antibiótico e Manejo Clínico
O tratamento antibiótico é a base do manejo da coqueluche e deve ser iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente durante a fase catarral, para maior eficácia na erradicação da bactéria e redução da transmissibilidade [91]. O antibiótico de primeira linha é a azitromisin, administrada em esquema de cinco dias, tanto para crianças quanto para adultos [67][7]. Alternativas incluem a klaritromisin e a eritromisin, especialmente em casos de contraindicações à azitromicina [94][95].
Além do tratamento farmacológico, o manejo clínico é fundamental, especialmente em lactentes, que são o grupo mais vulnerável. Medidas de suporte incluem hidratação adequada, alimentação fracionada para evitar vômitos pós-tússeis e monitoramento rigoroso da função respiratória, com internação hospitalar em casos graves [38][27]. A vigilância contínua é essencial para detectar sinais de insuficiência respiratória, apneia ou hipóxia, que exigem suporte ventilatório em unidades de terapia intensiva (UTI) sistem pernapasan.
Quimioprofilaxia e Controle da Transmissão
A quimioprofilaxia com antibióticos é recomendada para contatos próximos de casos confirmados, especialmente em ambientes de alto risco, como creches, unidades neonatais e domicílios com recém-nascidos [41]. Essa estratégia visa interromper a cadeia de transmissão, protegendo indivíduos suscetíveis, particularmente bebês não vacinados. A escolha do antibiótico segue as mesmas diretrizes do tratamento terapêutico, com azitromicina como opção preferencial [7].
A eficácia do tratamento está diretamente relacionada ao tempo de início: quanto mais precoce, menor o risco de complicações e maior a chance de evitar a disseminação da Bordetella pertussis. O paciente deixa de ser contagioso após cinco dias de terapia antibiótica adequada, enquanto, na ausência de tratamento, pode transmitir a bactéria por até três semanas após o início dos sintomas [38].
Complicações Respiratórias e Sistêmicas
Se não tratada, a coqueluche pode evoluir para complicações graves, principalmente em crianças menores de um ano. As complicações respiratórias mais comuns incluem bronkopneumonia e pneumonia, que são responsáveis por grande parte das hospitalizações e óbitos associados à doença [47]. A tosse intensa e paroxística pode levar à asfixia, hipóxia, insuficiência respiratória e até parada respiratória [27][38].
Outras complicações sistêmicas decorrentes do esforço expiratório intenso incluem hematomas subcutâneos, prolapso retal, pneumotórax e atelectasias [27]. A desidratação e a desnutrição também são frequentes, resultantes da dificuldade de alimentação e dos vômitos recorrentes durante os acessos de tosse [105].
Complicações Neurológicas e Risco de Mortalidade
As complicações neurológicas são raras, mas potencialmente fatais, especialmente em neonatos. Entre elas destacam-se a ensefalopati, causada pela hipóxia cerebral prolongada durante episódios de apneia ou convulsões, e as convulsões, frequentemente associadas à hipóxia aguda [38]. A lesão cerebral hipóxico-isquêmica pode resultar em sequelas permanentes, como paralisia cerebral, déficits cognitivos e epilepsia [107].
O mecanismo fisiopatológico envolve uma combinação de hipóxia cerebral, ação direta das toxinas bacterianas — como a toksin pertussis e a toksin dermonekrotik — e inflamação no sistema nervoso central [108]. A hipertensão intracraniana e hemorragias cerebrais também podem ocorrer em casos extremos, devido ao aumento da pressão intratorácica durante as crises de tosse intensa [38].
Em lactentes não vacinados, a coqueluche não tratada apresenta alta taxa de letalidade, podendo chegar a 1% em bebês menores de dois meses [30]. A ausência de tratamento prolonga a duração dos sintomas e aumenta o risco de disseminação da bactéria para outras pessoas, especialmente em ambientes familiares e escolares [111].
Diante disso, o diagnóstico precoce, o tratamento imediato com antibióticos apropriados e a vacinação em massa são fundamentais para controlar a doença, prevenir complicações graves e reduzir a mortalidade associada à coqueluche [5][31].
Grupos de Risco e Vulnerabilidade
A coqueluche apresenta um risco desigual entre diferentes grupos populacionais, com certas faixas etárias e condições socioeconômicas expondo indivíduos a maior gravidade da doença e complicações potencialmente fatais. Os principais grupos vulneráveis incluem lactentes menores de um ano, especialmente aqueles com menos de seis meses, que representam a maioria dos casos graves e óbitos. Essa vulnerabilidade é atribuída à imaturidade do sistema respiratório, à ausência de imunidade ativa e ao fato de que o esquema vacinal ainda não foi iniciado ou está incompleto [45]. A ausência de proteção imunológica torna esses bebês altamente suscetíveis à infecção por Bordetella pertussis, especialmente quando expostos a conviventes não vacinados [31].
Lactentes e Neonatos
Neonatos e lactentes são os mais afetados pelas formas graves da coqueluche, com quadros clínicos frequentemente atípicos. Em vez da tosse paroxística clássica com o característico "guincho" (whoop), os bebês podem apresentar apneia — pausas respiratórias que duram mais de 20 segundos e estão associadas a cianose, rubor facial e desaturação de oxigênio [28]. A apneia é uma das complicações mais perigosas, ocorrendo em até 60% dos casos hospitalizados de menores de três meses, e pode levar à parada cardiorrespiratória, exigindo monitorização contínua em Unit Perawatan Intensif (UTI) [117]. Outras manifestações comuns incluem vômitos pós-tússeis, cianose e sintomas inespecíficos como coriza e febre baixa, o que dificulta o diagnóstico precoce [118].
A imaturidade do sistema respiratório desses bebês, com vias aéreas estreitas e músculos respiratórios fracos, torna-os especialmente suscetíveis à obstrução das vias aéreas e à insuficiência respiratória. Além disso, a ausência de imunidade ativa contra a doença significa que sua proteção depende exclusivamente da imunidade passiva materna, que é insuficiente quando a gestante não foi vacinada [5].
Complicações Graves em Crianças Pequenas
Lactentes com coqueluche estão em alto risco de complicações graves, incluindo pneumonia, que é uma das principais causas de hospitalização e óbito. A pneumonia pode ser causada diretamente pela Bordetella pertussis ou por infecções bacterianas secundárias, como Staphylococcus aureus ou Streptococcus pneumoniae [30]. Outras complicações incluem ensefalopati, decorrente da hipóxia prolongada durante episódios de apneia ou convulsões, além de desnutrição e desidratação por dificuldade de alimentação e vômitos frequentes [117]. Em casos extremos, o esforço expiratório intenso pode causar hematomas subcutâneos, prolapso retal ou pneumotórax [27].
A taxa de letalidade em bebês menores de dois meses pode chegar a 1%, destacando a urgência de estratégias preventivas eficazes [30]. A vacinação materna com a vaksin dTpa entre a 20ª e a 36ª semana de gestação é a intervenção mais eficaz para proteger recém-nascidos, pois permite a transferência transplacentária de anticorpos específicos contra a bactéria [21].
Gestantes e Vacinação Materna
As gestantes desempenham um papel estratégico na proteção indireta dos recém-nascidos. A vacinação com dTpa durante a gestação é recomendada em todas as gestações, mesmo que a mulher já tenha sido vacinada anteriormente, pois a proteção conferida diminui ao longo do tempo [125]. A eficácia dessa estratégia é elevada, com estudos demonstrando redução superior a 90% nos casos de coqueluche em lactentes menores de dois meses quando a mãe é vacinada no terceiro trimestre [53]. A segurança da vacina é bem estabelecida, sem aumento de riscos de parto prematuro, baixo peso ao nascer ou malformações congênitas [58].
Populações em Contextos de Baixa Cobertura Vacinal
Em países africanos de língua portuguesa, como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, a vulnerabilidade à coqueluche é agravada por baixas coberturas vacinais. Em Angola, a cobertura de três doses da vacina DTP3 (difteria, tétano e coqueluche) em crianças de um ano foi estimada em apenas 69% em 2023, um dos níveis mais baixos da região africana [66]. A combinação de acesso limitado aos serviços de saúde, desigualdades socioeconômicas e interrupções em campanhas de vacinação — como durante a pandemia de COVID-19 — contribui para a acumulação de suscetíveis e o risco de surtos [129].
Além disso, a subnotificação da doença é comum devido à escassez de infraestrutura laboratorial especializada, como testes de PCR ou cultura bacteriana, o que distorce a magnitude real da circulação do agente etiológico [67]. A vigilância epidemiológica nessas regiões é comprometida pela falta de dados robustos, dificultando a formulação de políticas baseadas em evidências [131].
Estratégias de Proteção: Cocooning e Imunidade Coletiva
A estratégia de cocooning (ou "casulo") complementa a vacinação materna ao envolver a imunização de familiares e cuidadores próximos ao recém-nascido, como pais, irmãos e avós, com a vacina dTpa [60]. O objetivo é criar uma barreira imunológica ao redor do bebê, reduzindo a exposição ao agente infeccioso. No entanto, sua implementação enfrenta desafios práticos, como hesitação vacinal, baixa cobertura em adultos e dificuldades logísticas de acesso aos postos de saúde [61].
A imunidade coletiva depende de coberturas vacinais elevadas, geralmente acima de 95%, devido à alta transmissibilidade da Bordetella pertussis [59]. A queda na cobertura vacinal no Brasil, que atingiu 64,4% em 2021, bem abaixo da meta, tem sido diretamente associada ao aumento de mais de 1.000% nos casos de coqueluche em 2024 [63]. Esse cenário reflete um ciclo vicioso onde a desinformação, o esquecimento e a desconfiança nas instituições de saúde comprometem a adesão à vacinação, especialmente em áreas urbanas com alta densidade populacional [136].
A proteção dos recém-nascidos contra a coqueluche exige uma abordagem integrada que combine vacinação materna universal, manutenção de altas coberturas vacinais infantis, vigilância epidemiológica robusta e educação em saúde. A adoção dessas estratégias é crucial para reduzir a morbimortalidade associada à coqueluche e proteger os mais vulneráveis em diferentes realidades socioepidemiológicas [68].
Vigilância Epidemiológica e Surtos Recentes
A vigilância epidemiológica desempenha um papel fundamental no controle da coqueluche, permitindo a detecção precoce de surtos, a análise de tendências e a implementação de medidas de prevenção e resposta. A doença apresenta um padrão cíclico de incidência, com picos a cada três a cinco anos, fenômeno observado em diversos países lusófonos, incluindo o Brasil e Portugal [35]. Esses ciclos estão associados à acumulação de indivíduos suscetíveis devido à diminuição da imunidade natural ou vacinal ao longo do tempo, especialmente em adolescentes e adultos que atuam como reservatórios silenciosos da infecção [8]. A retomada desses ciclos após a pandemia de COVID-19 tem exigido um reforço na vigilância para antecipar aumentos de casos e orientar campanhas de vacinação de reforço [45].
Surtos Recentes em Países de Língua Portuguesa
Nos últimos anos, houve um aumento alarmante nos casos de coqueluche em países de língua portuguesa. No Brasil, o número de casos confirmados saltou de 4.139 em 2023 para 43.751 em 2024, um aumento de mais de 10 vezes, com consequente elevação de internações e óbitos, especialmente em crianças menores de um ano [8]. Em 2025, o país registrou mais de 7.440 casos confirmados, o maior número desde 2014, com um aumento de 1.353% em crianças menores de cinco anos [70]. Estados como Santa Catarina destacaram-se com um aumento de 1.253% nos casos em 2025, indicando disseminação regionalizada com intensidade variável [143]. Em Portugal, foram registrados 200 casos nos primeiros quatro meses de 2024, um aumento substancial em relação aos 22 casos notificados em todo o ano anterior [144]. Esse ressurgimento é atribuído a quedas na cobertura vacinal, hesitação vacinal e a possíveis mudanças genéticas em cepas de Bordetella pertussis.
Padrões de Transmissão e Fatores de Risco
A transmissão da coqueluche ocorre principalmente por meio de tetesan pernapasan expelidas durante a tosse ou o espirro de pessoas infectadas, com alta taxa de contágio, especialmente em ambientes fechados e com contato próximo [33]. A densidade populacional em áreas urbanas facilita a disseminação da doença, com surtos frequentemente concentrados nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil [35]. Adolescentes e adultos, muitas vezes com sintomas atípicos ou leves, atuam como principais fontes de infecção para lactentes não vacinados, que são os mais vulneráveis às formas graves da doença [36]. A queda na cobertura vacinal, especialmente entre gestantes e adultos, tem sido um fator determinante na reemergência da doença. No Brasil, a cobertura vacinal contra a coqueluche caiu significativamente após a pandemia de COVID-19, com interrupções nos serviços de saúde e deslocamento do foco das campanhas de rotina [64].
Desafios na Vigilância e Diagnóstico
A vigilância eficaz da coqueluche enfrenta diversos desafios, especialmente em países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique. A escassez de infraestrutura laboratorial especializada limita a capacidade de diagnóstico definitivo por meio de kultur bakteri ou PCR, levando à dependência de laboratórios de referência externos e atrasos na confirmação dos casos [67]. A apresentação clínica atípica, especialmente em adultos vacinados, dificulta o diagnóstico clínico, resultando em subnotificação e atraso no início do tratamento [150]. Além disso, a falta de suspeita clínica, falhas nos sistemas de informação em saúde e limitações na capacidade de notificação por parte dos serviços de saúde primários contribuem para a subnotificação, distorcendo a magnitude real da circulação do agente etiológico [131]. A subnotificação compromete seriamente a vigilância epidemiológica regional, dificultando a detecção de focos de transmissão e a avaliação de impacto das intervenções [152].
Estratégias de Resposta e Prevenção
Para enfrentar os desafios da vigilância e controle da coqueluche, é essencial fortalecer os programas de vacinação e garantir coberturas elevadas e equitativas. A vacinação materna com vaksin dTpa durante a gestação é uma estratégia-chave para proteger recém-nascidos nos primeiros meses de vida, reduzindo significativamente a incidência em menores de um ano [68]. A vacinação de gestantes com dTpa entre a 20ª e a 36ª semana de gestação permite a transferência transplacentária de anticorpos específicos contra Bordetella pertussis, conferindo imunidade passiva ao recém-nascido [21]. Além disso, a estratégia de cocooning, que envolve a vacinação de todos os contatos próximos do recém-nascido, como pais, irmãos, avós e cuidadores, contribui para reduzir a exposição do lactente ao agente infeccioso [155]. No entanto, a implementação do cocooning enfrenta desafios práticos, como hesitação vacinal, dificuldades logísticas e falta de conscientização [61].
Vigilância Genômica e Resistência a Antibióticos
A vigilância genômica tem se tornado essencial para monitorar mudanças no comportamento da bactéria, como o surgimento de cepas resistentes a antibióticos. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou para a propagação de cepas resistentes à azitromicina, o que complica o tratamento e a contenção dos surtos [157]. Embora o Ministério da Saúde do Brasil não tenha confirmado oficialmente a detecção de cepas resistentes em 2025, a vigilância ativa é considerada essencial devido ao aumento significativo no número de casos e ao uso excessivo de macrolídeos durante a pandemia de COVID-19 [158]. A caracterização genômica de cepas de Bordetella pertussis isoladas no Brasil, como realizada por pesquisadores da Fiocruz, é fundamental para rastrear mutações associadas à resistência e à virulência, permitindo respostas mais ágeis e direcionadas [159]. A integração de dados genômicos na vigilância pode permitir respostas mais eficazes frente à evolução do patógeno [71].