A Repagamento com Base na Renda (Income-Driven Repayment, IDR) é um conjunto de planos de pagamento para empréstimos estudantis federais nos Estados Unidos, projetados para tornar as parcelas mensais mais acessíveis com base na renda e no tamanho da família do mutuário. Esses planos, como o Saving on a Valuable Education (SAVE), Pay As You Earn (PAYE), Income-Based Repayment (IBR) e Income-Contingent Repayment (ICR), recalculam o pagamento anualmente com base na renda declarada, frequentemente resultando em valores inferiores ao plano padrão de 10 anos, e podem reduzir o pagamento a $0 para mutuários com renda muito baixa [1]. Os planos IDR estão disponíveis apenas para empréstimos federais, não para empréstimos privados, e são especialmente benéficos para quem tem alta dívida em relação à renda ou enfrenta dificuldades financeiras. Após um período de pagamentos qualificados — geralmente 20 ou 25 anos — o saldo restante pode ser perdoado, embora esse valor possa ser tributável a partir de 2026, conforme mudanças na legislação fiscal. O Departamento de Educação dos EUA administra esses programas por meio da Federal Student Aid, utilizando regras regulatórias baseadas na Lei de Educação Superior, e tem implementado reformas recentes, como o ajuste de contagem de pagamentos (IDR Account Adjustment), que creditou automaticamente milhares de pagamentos para acelerar o perdão. No entanto, esses planos enfrentam desafios, incluindo juros acumulados que podem aumentar o saldo da dívida, obrigações anuais de recertificação e incertezas legais, como os desafios judiciais ao plano SAVE. Além disso, disparidades raciais e de renda afetam o acesso e os resultados, com mutuários negros e hispânicos frequentemente enfrentando maiores barreiras para inscrição e manutenção no plano. Para se inscrever, os mutuários devem aplicar online, fornecer comprovante de renda — muitas vezes via acesso direto aos dados da Receita Federal (IRS) — e recertificar anualmente. Mudanças futuras, como a introdução do Repayment Assistance Plan (RAP) a partir de 2026, podem substituir a maioria dos planos IDR atuais, consolidando o sistema em uma estrutura mais simples e sustentável.

História e Evolução dos Planos IDR

Os planos de Repagamento com Base na Renda (Income-Driven Repayment, IDR) nos Estados Unidos têm uma trajetória que reflete mudanças profundas nas políticas públicas de financiamento estudantil, moldadas por legislação federal e ações administrativas com o objetivo de tornar o pagamento de empréstimos estudantis mais acessível e equitativo. Desde a introdução do primeiro plano com base na renda na década de 1990, os programas IDR evoluíram significativamente, expandindo-se em alcance, generosidade e complexidade, com o intuito de prevenir inadimplência, promover a equidade e responder às crescentes pressões econômicas enfrentadas pelos mutuários. A evolução desses planos é marcada por uma série de marcos legislativos e regulatórios que redefiniram as condições de elegibilidade, os cálculos de pagamento e os prazos de perdão da dívida.

Origens e Fundamentos Legislativos

A base legal para os planos IDR foi estabelecida com a Lei de Educação Superior de 1965, mas o primeiro plano verdadeiramente vinculado à renda foi o Reembolso com Base na Renda (Income-Contingent Repayment, ICR), introduzido em 1994 como parte da Reautorização da Lei de Educação Superior de 1993 [2]. O ICR foi um marco inovador, pois vinculou os pagamentos mensais à renda e ao tamanho da família do mutuário, calculando-os como 20% da renda discricionária, definida como a renda acima de 100% da linha federal de pobreza. O perdão da dívida era concedido após 25 anos de pagamentos qualificados. Este modelo representou uma mudança fundamental de cronogramas de pagamento fixos para um modelo de mitigação de riscos, especialmente para graduados que enfrentavam dificuldades financeiras.

Um avanço legislativo crucial veio com a Lei de Redução do Custo Universitário e Acesso de 2007 (College Cost Reduction and Access Act), que autorizou formalmente o Reembolso com Base na Renda (Income-Based Repayment, IBR). Esta lei reduziu o teto de pagamento de 15% para 10% da renda discricionária para mutuários que tomaram empréstimos após 1º de julho de 2014, com perdão após 20 anos, e manteve o teto de 15% com perdão após 25 anos para mutuários anteriores [3]. O IBR foi um passo importante para tornar o pagamento mais acessível e fortaleceu o vínculo entre o reembolso e a carreira em serviços públicos e sem fins lucrativos, graças à expansão do programa de Perdão de Empréstimos para Serviços Públicos (PSLF).

Expansão e Diferenciação: A Era Obama

A administração Obama acelerou a expansão dos planos IDR com a introdução de dois novos planos. Em 2012, foi lançado o Pay As You Earn (PAYE), que limitou os pagamentos a 10% da renda discricionária e ofereceu perdão após 20 anos, mas com requisitos estritos de elegibilidade, como ser um "novo mutuário" após 1º de outubro de 2007 e demonstrar uma "dificuldade financeira parcial" [1]. Para ampliar o acesso, o Departamento de Educação introduziu em 2015 o Revised Pay As You Earn (REPAYE), que estendeu os benefícios do PAYE a todos os mutuários com empréstimos diretos, independentemente da data do empréstimo, eliminando a exigência de dificuldade financeira. O REPAYE também introduziu subsídios de juros para cobrir 50% dos juros não pagos, abordando o problema do crescimento do saldo da dívida por amortização negativa, uma preocupação persistente em planos anteriores [1].

Reformas Recentes e a Era do Plano SAVE

As reformas mais significativas nos últimos anos foram impulsionadas pela ação administrativa da administração Biden-Harris. Em 2021, o Departamento de Educação iniciou um processo de "regras negociadas" que culminou na regra final de 2023 intitulada "Reimagining the Federal Student Loan Program" [6]. Essa regra deu origem ao Plano Saving on a Valuable Education (SAVE), que substituiu efetivamente o REPAYE como a principal opção de IDR. O plano SAVE representou uma mudança radical em direção a um design de reembolso progressivo, com características inovadoras:

  • Pagamentos mais baixos: Os pagamentos foram reduzidos para 5% da renda discricionária para empréstimos de graduação, com um limiar de renda mais alto (225% da linha de pobreza federal), permitindo que mais mutuários tivessem pagamentos de $0 [7].
  • Eliminação do crescimento do saldo: O governo cobre 100% dos juros não pagos, impedindo que o saldo da dívida cresça mesmo quando o pagamento mensal é inferior aos juros acumulados.
  • Proteção contra dívida conjugal: Diferentemente dos planos anteriores, o SAVE permite que mutuários casados que apresentem declarações de imposto separadamente não incluam a renda do cônjuge no cálculo do pagamento [7].

Desafios Jurídicos e o Futuro dos Planos IDR

Apesar das intenções progressistas, o plano SAVE enfrentou desafios jurídicos significativos. Em julho de 2024, a 8ª Circunscrição do Tribunal de Apelações dos EUA confirmou uma liminar que bloqueava o plano, argumentando que o Departamento de Educação excedera sua autoridade estatutária ao implementar unilateralmente mudanças tão substanciais sem autorização explícita do Congresso [9]. Em dezembro de 2025, o Departamento de Educação anunciou um acordo com o estado do Missouri para encerrar o plano SAVE, citando as decisões judiciais que o consideraram ilegal [10]. Este desenvolvimento destacou a fragilidade das reformas administrativas diante de desafios legais e políticos.

Em resposta, a legislação futura, como a prevista na "One Big Beautiful Bill Act", visa simplificar o sistema, limitando os mutuários a partir de 1º de julho de 2026 a duas opções principais: o plano de reembolso padrão e um novo Plano de Assistência ao Reembolso (Repayment Assistance Plan, RAP) [11]. Essas mudanças refletem uma tentativa de equilibrar o alívio para o mutuário com a sustentabilidade fiscal e a responsabilidade orçamentária de longo prazo, consolidando o sistema em uma estrutura mais simples e sustentável. A evolução dos planos IDR continua sendo uma área dinâmica, moldada por um delicado equilíbrio entre alívio ao mutuário, equidade, eficiência administrativa e limites legais.

Tipos de Planos de Repagamento com Base na Renda

Os planos de repagamento com base na renda (Income-Driven Repayment, IDR) são estruturados para tornar os pagamentos mensais de empréstimos estudantis federais mais acessíveis, ajustando-os de acordo com a renda e o tamanho da família do mutuário. Atualmente, os principais planos disponíveis são o Saving on a Valuable Education (SAVE), o Pay As You Earn (PAYE), o Income-Based Repayment (IBR) e o Income-Contingent Repayment (ICR). Cada um desses planos apresenta diferenças significativas em termos de porcentagem da renda discricionária cobrada, prazos de repagamento e condições de elegibilidade, refletindo a evolução da política federal de assistência ao estudante [1].

Plano Saving on a Valuable Education (SAVE)

O plano Saving on a Valuable Education (SAVE) é o mais recente e abrangente dos planos IDR, substituindo o anterior Revised Pay As You Earn (REPAYE) para novos mutuários a partir de 2024. Este plano é projetado para oferecer os pagamentos mensais mais baixos e os melhores termos de perdão, especialmente para estudantes de graduação. O pagamento mensal é geralmente limitado a 5% da renda discricionária para empréstimos de graduação e a 10% para empréstimos de pós-graduação [1]. Para mutuários com saldo original de empréstimo de até $12.000, o perdão da dívida ocorre após 10 anos de pagamentos qualificados, com um ano adicional exigido para cada $1.000 emprestado acima desse valor, até um máximo de 20 ou 25 anos [1]. Uma característica crucial do plano SAVE é o subsídio parcial de juros, que impede que o saldo da dívida cresça quando os pagamentos mensais são insuficientes para cobrir os juros acumulados, um problema conhecido como amortização negativa [15].

Plano Pay As You Earn (PAYE)

O plano Pay As You Earn (PAYE) é voltado para mutuários que demonstram dificuldade financeira parcial e atendem a requisitos específicos de data de empréstimo. Os pagamentos mensais são limitados a 10% da renda discricionária e nunca excedem o valor que seria pago no plano de repagamento padrão de 10 anos [16]. Para se qualificar, o mutuário deve ter recebido seu primeiro empréstimo federal após 1º de outubro de 2007 e ter tido um desembolso de um empréstimo direto após 1º de outubro de 2011 [1]. O perdão da dívida é concedido após 20 anos de pagamentos qualificados para empréstimos de graduação e 25 anos para empréstimos de pós-graduação. O plano PAYE é considerado favorável para novos mutuários que se qualificam, pois oferece pagamentos mais baixos e um prazo de perdão mais curto em comparação com planos anteriores [18].

Plano Income-Based Repayment (IBR)

O plano Income-Based Repayment (IBR) é um dos planos IDR mais antigos e amplos, com termos que variam dependendo da data em que o mutuário pegou empréstimo pela primeira vez. Para mutuários que tomaram empréstimos antes de 1º de julho de 2014, o pagamento mensal é de 15% da renda discricionária, com perdão após 25 anos de pagamentos qualificados. Já para aqueles que tomaram empréstimos em ou após essa data, o pagamento é de 10% da renda discricionária, com perdão após 20 anos para empréstimos de graduação e 25 anos para empréstimos de pós-graduação [1]. O plano IBR está disponível para mutuários com empréstimos diretos ou empréstimos do programa FFEL, desde que demonstrem dificuldade financeira parcial. Embora o plano PAYE e o SAVE ofereçam termos mais vantajosos, o IBR permanece uma opção importante para mutuários que não se qualificam para os planos mais recentes [18].

Plano Income-Contingent Repayment (ICR)

O plano Income-Contingent Repayment (ICR) é o plano IDR mais antigo e o único disponível para mutuários de empréstimos Parent PLUS que consolidaram seus empréstimos em um empréstimo direto de consolidação [21]. O pagamento mensal é calculado como o menor valor entre 20% da renda discricionária ou o valor que seria pago em um plano de repagamento fixo de 12 anos, ajustado com base na renda [22]. O perdão da dívida ocorre após 25 anos de pagamentos qualificados. Uma vantagem significativa do plano ICR é que ele não exige a demonstração de dificuldade financeira parcial, tornando-o acessível a uma ampla gama de mutuários, incluindo aqueles em programas de Public Service Loan Forgiveness (PSLF) que precisam de um plano IDR para se qualificar [1]. No entanto, devido à sua taxa de pagamento mais alta e ao prazo de perdão mais longo, o ICR é geralmente considerado menos favorável em termos de custo total a longo prazo [16].

Elegibilidade e Documentação Necessária

Para se qualificar para um plano de repagamento com base na renda (Income-Driven Repayment, IDR), os mutuários devem atender a critérios específicos relacionados ao tipo de empréstimo, comprovação de renda e tamanho da família. Esses planos são exclusivos para empréstimos estudantis federais dos Estados Unidos, não se aplicando a empréstimos privados. A elegibilidade é determinada com base em fatores como o tipo de empréstimo federal detido, a necessidade financeira demonstrada e a apresentação de documentação verificável. Os empréstimos qualificados incluem empréstimos diretos, empréstimos do Programa Federal de Empréstimos para Educação Familiar (FFEL) e empréstimos Federal Perkins Loans detidos pelo Departamento de Educação dos EUA [25]. Empréstimos PLUS para pais não são diretamente elegíveis para a maioria dos planos IDR, mas podem se tornar elegíveis se forem consolidados em um empréstimo de consolidação direto [25].

Elegibilidade por Tipo de Empréstimo e Histórico de Pagamento

A elegibilidade varia significativamente entre os diferentes planos IDR, com alguns exigindo datas específicas de primeiro empréstimo ou a demonstração de dificuldade financeira parcial. Por exemplo, o plano Pay As You Earn (PAYE) exige que o mutuário tenha recebido seu primeiro empréstimo federal em ou após 1º de outubro de 2007, e tenha recebido uma desembolso em ou após 1º de outubro de 2011, além de demonstrar uma dificuldade financeira parcial [27]. A dificuldade financeira parcial é definida como a situação em que o pagamento calculado sob o plano PAYE é menor do que o pagamento sob o plano padrão de 10 anos. O plano Income-Based Repayment (IBR) também exige uma dificuldade financeira parcial, mas é mais amplo em sua elegibilidade, estando disponível para mutuários com empréstimos diretos ou FFEL, desde que atendam aos critérios de renda [1]. O plano Income-Contingent Repayment (ICR), por outro lado, é o mais abrangente, aberto a todos os mutuários com empréstimos diretos, incluindo aqueles que consolidaram empréstimos PLUS para pais, e não exige uma dificuldade financeira parcial [22]. O plano mais recente, o Saving on a Valuable Education (SAVE), foi projetado para ser o mais inclusivo, estando disponível para a maioria dos mutuários com empréstimos diretos, independentemente da data do empréstimo ou da necessidade de demonstrar dificuldade financeira [30].

Documentação de Renda e Tamanho da Família

A aplicação para um plano IDR exige a apresentação de documentação para verificar a renda e o tamanho da família do mutuário. A renda é geralmente comprovada por meio de declarações de imposto de renda federais, formulários W-2, holerites ou uma carta do empregador [25]. Para facilitar o processo, os mutuários podem dar seu consentimento para que o Departamento de Educação acesse diretamente seus dados fiscais da Receita Federal (IRS), o que pode acelerar significativamente a verificação da renda [25]. O tamanho da família é auto-certificado no formulário de aplicação e inclui o número de pessoas no domicílio, incluindo dependentes [1]. Se a renda atual do mutuário for significativamente diferente da declaração de imposto (por exemplo, devido a perda de emprego ou redução de horas), ele pode apresentar documentação alternativa, como holerites recentes, extratos bancários ou comprovantes de benefícios de desemprego [34]. O processo de aplicação é concluído online no site [25], onde os mutuários podem se inscrever em um novo plano ou recertificar anualmente. Não há taxas associadas à aplicação, e os candidatos podem salvar seu progresso e retornar posteriormente [36].

Requisitos de Recertificação Anual

A manutenção em um plano IDR exige que os mutuários recertifiquem sua renda e tamanho da família anualmente [37]. Esse processo é crucial para garantir que os pagamentos mensais reflitam as circunstâncias financeiras atuais do mutuário. Se a renda diminuir ou o tamanho da família aumentar, o pagamento mensal geralmente será reduzido, e vice-versa. A falha em recertificar no prazo pode resultar na remoção do plano IDR, levando a pagamentos mais altos baseados no plano padrão de 10 anos, o que pode causar um choque de pagamento significativo. A recertificação pode ser feita online, e os mutuários que consentiram com o acesso aos dados da IRS podem ver seus dados de renda atualizados automaticamente, simplificando o processo [38]. É responsabilidade do mutuário iniciar a recertificação, mesmo que sua renda e situação familiar não tenham mudado [39].

Cálculo da Renda Discricionária e Pagamentos Mensais

O cálculo da renda discricionária é o pilar central dos planos de Repagamento com Base na Renda (Income-Driven Repayment, IDR), determinando diretamente o valor do pagamento mensal do mutuário. A renda discricionária é definida como a diferença entre a renda bruta ajustada (RBA) do mutuário e um percentual da diretriz federal de pobreza, que varia conforme o plano específico, o tamanho da família e o estado de residência. Esse mecanismo assegura que os pagamentos sejam proporcionais à capacidade financeira do mutuário, tornando-os mais acessíveis, especialmente para aqueles com baixa renda. O uso da RBA, geralmente obtida diretamente dos dados da Receita Federal (IRS) por meio de acesso consentido, aumenta a precisão e simplifica o processo de comprovação de renda [1].

Métodos de Cálculo da Renda Discricionária por Plano

Cada plano IDR utiliza uma metodologia distinta para calcular a renda discricionária, refletindo diferentes níveis de proteção de renda. O plano Saving on a Valuable Education (SAVE) oferece a proteção mais generosa, definindo a renda discricionária como a RBA menos 225% da diretriz federal de pobreza. Isso significa que uma parcela maior da renda é isenta de pagamento, resultando em pagamentos mensais mais baixos ou até mesmo $0 para mutuários com renda muito baixa [41]. Em contraste, os planos Income-Based Repayment (IBR) e Pay As You Earn (PAYE) utilizam um limiar de 150% da diretriz de pobreza, enquanto o plano Income-Contingent Repayment (ICR) usa apenas 100%, tornando-o o menos generoso em termos de renda isenta [42]. Essas diferenças significam que dois mutuários com a mesma renda e família podem ter pagamentos muito diferentes dependendo do plano em que estão inscritos.

Determinação do Pagamento Mensual a Partir da Renda Discricionária

Uma vez calculada a renda discricionária, o pagamento mensal é determinado como uma porcentagem fixa desse valor, conforme estipulado pelo plano escolhido. O plano SAVE define os pagamentos em 5% da renda discricionária para empréstimos de graduação e 10% para empréstimos de pós-graduação, tornando-o o mais acessível entre os planos atuais [43]. Os planos IBR e PAYE, por sua vez, estabelecem pagamentos de 10% da renda discricionária, com o IBR para mutuários anteriores a julho de 2014 exigindo 15% [1]. O plano ICR é o mais oneroso, calculando o pagamento como o menor valor entre 20% da renda discricionária ou o montante que seria pago em um plano de pagamento fixo de 12 anos, ajustado pela renda [1]. Essas variações na porcentagem aplicada têm um impacto direto e significativo no orçamento mensal do mutuário.

Atualizações Anuais e Impacto de Mudanças na Renda

A natureza dinâmica dos planos IDR exige que os mutuários recertifiquem sua renda e tamanho da família anualmente. Este processo de recertificação é crucial, pois qualquer alteração na renda ou na composição da família pode modificar significativamente a renda discricionária e, consequentemente, o pagamento mensal. Se a renda do mutuário diminuir, seu pagamento também diminuirá, proporcionando proteção contra dificuldades financeiras. Inversamente, se a renda aumentar, o pagamento será ajustado para cima [1]. O Departamento de Educação dos EUA incentiva o uso do acesso direto aos dados da IRS para automatizar essa recertificação, reduzindo a carga administrativa e o risco de erros. Falhar em recertificar a tempo resulta na remoção do plano IDR, reverter o pagamento para o montante do plano padrão de 10 anos e potencialmente levar à inadimplência [47]. Além disso, as diretrizes federais de pobreza são atualizadas anualmente pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, o que significa que os cálculos podem mudar ligeiramente a cada ano, mesmo sem flutuações na renda do mutuário [48].

Perdão de Dívida e Implicações Fiscais

Os planos de Repagamento com Base na Renda (IDR) oferecem um mecanismo crucial para alívio da dívida estudantil federal nos Estados Unidos, permitindo que o saldo restante seja perdoado após um período de pagamentos qualificados. Esse perdão geralmente ocorre após 20 ou 25 anos de pagamentos mensais que atendem aos critérios do plano, dependendo do tipo de empréstimo e do plano específico escolhido. Por exemplo, o plano Saving on a Valuable Education (SAVE) e o Pay As You Earn (PAYE) oferecem perdão após 20 anos para empréstimos de graduação, enquanto o Income-Based Repayment (IBR) para mutuários anteriores e o Income-Contingent Repayment (ICR) exigem 25 anos [1]. Esse recurso é uma característica central dos planos IDR, projetado para fornecer alívio a mutuários cujos pagamentos podem não cobrir o valor total da dívida devido a rendas baixas ou dívidas altas. O Departamento de Educação dos EUA administra esses programas, e iniciativas recentes, como o ajuste de contagem de pagamentos (IDR Account Adjustment), creditaram automaticamente milhares de pagamentos para acelerar o caminho para o perdão, beneficiando mais de 800.000 mutuários [50].

Implicações Fiscais do Perdão da Dívida

A partir de 1º de janeiro de 2026, um importante desenvolvimento afeta os mutuários: os valores perdoados sob os planos IDR poderão ser considerados renda tributável pela Receita Federal (IRS)>, a menos que isentos por lei. Isso significa que os mutuários podem enfrentar uma obrigação fiscal significativa no ano em que o saldo restante for perdoado, uma mudança em relação ao tratamento temporário isento de impostos fornecido pelo American Rescue Plan, que expirou [51]. Essa possível "bomba fiscal" é uma consideração de longo prazo crítica, pois o valor perdoado pode ser adicionado à renda bruta do mutuário naquele ano, potencialmente impulsionando-o para uma faixa de imposto mais alta e resultando em uma conta de imposto substancial [52]. Em contraste, o perdão sob o Public Service Loan Forgiveness (PSLF) permanece permanentemente isento de impostos no nível federal, tornando-o uma opção mais favorável para trabalhadores elegíveis do serviço público [53]. Os mutuários devem considerar estratégias para se preparar para essa obrigação, como estimar sua possível responsabilidade fiscal e considerar a criação de uma conta de poupança dedicada para cobrir a conta de impostos futura [54].

Considerações e Estratégias para os Mutuários

Os mutuários devem pesar cuidadosamente os benefícios do perdão da dívida contra o potencial ônus fiscal. Embora o perdão ofereça um alívio financeiro significativo a longo prazo, a obrigação fiscal pode ser substancial. É essencial que os mutuários planejem com antecedência, reconhecendo que a responsabilidade fiscal começa em 2026, a menos que a legislação a estenda. A consulta a um consultor financeiro ou contador é altamente recomendada para avaliar as implicações específicas de um mutuário e desenvolver uma estratégia personalizada. Essa estratégia pode incluir ajustar as retenções do imposto de renda ou fazer pagamentos estimados trimestrais no ano do perdão para evitar penalidades. Além disso, os mutuários devem estar cientes de que a elegibilidade para o perdão depende da manutenção contínua no plano IDR, incluindo a recertificação anual obrigatória da renda e do tamanho da família. A falha em recertificar pode resultar na remoção do plano e na perda de créditos para o perdão, atrasando ou mesmo impedindo a obtenção do benefício esperado [47].

Processo de Recertificação Anual e Consequências do Não Cumprimento

O processo de recertificação anual é uma exigência fundamental para todos os mutuários inscritos em planos de repagamento com base na renda (IDR), como o Saving on a Valuable Education (SAVE), Pay As You Earn (PAYE), Income-Based Repayment (IBR) e Income-Contingent Repayment (ICR). Esse procedimento garante que os pagamentos mensais continuem alinhados à situação financeira atual do mutuário, recalculando o valor com base na renda e no tamanho da família declarados. A recertificação é geralmente necessária a cada 12 meses, embora tenha havido extensões temporárias; por exemplo, a maioria dos mutuários teve seu prazo estendido até pelo menos fevereiro de 2026 devido a ajustes administrativos [56]. O processo é iniciado com notificações enviadas pelos serviços de empréstimos estudantis, que alertam os mutuários sobre a proximidade do prazo. Os mutuários devem então submeter um novo formulário de solicitação de plano de pagamento com base na renda (IDR Plan Request) através do site [25], onde podem atualizar suas informações de renda e família [25]. Uma maneira de simplificar esse processo é autorizando o Departamento de Educação dos EUA a acessar diretamente os dados da Receita Federal (IRS), permitindo a verificação automática da renda e, em muitos casos, a recertificação automática sem necessidade de ação adicional [1]. Caso não utilizem essa opção, os mutuários devem fornecer documentação manual, como declarações de imposto, holerites recentes ou outros comprovantes de renda [60]. Após o processamento, o mutuário recebe uma confirmação e um novo valor de pagamento mensal, que reflete suas circunstâncias financeiras atualizadas [61].

Consequências do Não Cumprimento da Recertificação

O não cumprimento do prazo de recertificação tem consequências financeiras severas e imediatas. A falha em recertificar resulta na perda imediata dos benefícios do plano IDR, incluindo o limite de pagamento baseado na renda discricionária [62]. O pagamento mensal do mutuário reverte automaticamente para o valor que seria devido no plano de pagamento padrão de 10 anos, que pode ser substancialmente mais alto do que o pagamento IDR anterior [63]. Essa mudança repentina pode causar um choque de pagamento, tornando o empréstimo difícil ou impossível de pagar. Além disso, se o novo pagamento for insuficiente para cobrir os juros acumulados, o saldo da dívida pode crescer ainda mais rapidamente devido à capitalização de juros não pagos, aumentando o custo total do empréstimo [47]. A incapacidade de fazer os pagamentos mais altos pode levar à inadimplência e, eventualmente, à cobrança coercitiva, como penhora de salário ou retenção de restituições de imposto, o que prejudica negativamente a pontuação de crédito e a capacidade do mutuário de obter crédito no futuro [65]. Um impacto crítico de longo prazo é a perda de progresso em direção ao perdão da dívida. O tempo em que o mutuário está fora de um plano IDR não conta para os 20 ou 25 anos de pagamentos qualificados necessários para o perdão sob os planos IDR, nem para os 120 pagamentos necessários para o Public Service Loan Forgiveness (PSLF) [47]. Isso pode atrasar ou mesmo inviabilizar a possibilidade de alívio da dívida, especialmente para mutuários que já estão em um longo período de pagamento. Portanto, a recertificação anual não é apenas uma formalidade burocrática, mas um passo crítico para manter a proteção financeira, evitar aumentos de pagamento e permanecer no caminho para a potencial quitação da dívida [37].

Impactos Econômicos e Sociais dos Planos IDR

Os planos de Repagamento com Base na Renda (Income-Driven Repayment, IDR) exercem influências profundas sobre a economia e a sociedade, moldando o acesso à educação superior, a estabilidade financeira dos indivíduos e a equidade social. Ao vincular os pagamentos mensais à renda e ao tamanho da família, esses planos não apenas oferecem alívio financeiro imediato, mas também têm implicações de longo prazo para o consumo, a poupança, a mobilidade econômica e as decisões no mercado de trabalho. O Departamento de Educação dos EUA reconhece que a expansão dos planos IDR é motivada por objetivos econômicos e sociais, visando equilibrar o alívio da dívida com considerações orçamentárias de longo prazo [68]. No entanto, o sucesso desses programas em alcançar equidade e estabilidade financeira é desigual, com disparidades significativas no acesso e nos resultados entre grupos demográficos.

Influência no Acesso e na Conclusão da Educação Superior

Os planos IDR desempenham um papel crucial na expansão do acesso à educação superior, particularmente para estudantes de baixa e média renda. Ao reduzir o medo de pagamentos inacessíveis após a graduação, esses planos mitigam o risco percebido da dívida estudantil, incentivando a matrícula e a permanência em instituições de ensino superior [69]. A disponibilidade de opções de pagamento acessíveis, como o Saving on a Valuable Education (SAVE), que pode reduzir os pagamentos a $0 para mutuários com renda muito baixa, reassegura os futuros estudantes de que a educação superior permanece viável, mesmo em face de perspectivas salariais modestas [1]. Estudos indicam que a presença de planos IDR aumenta a probabilidade de os estudantes se inscreverem e retornarem à educação pós-secundária [71]. Isso é especialmente impactante para estudantes de faculdades comunitárias e instituições que atendem minorias, que são mais propensos a vir de origens economicamente desfavorecidas [7]. Além disso, o plano SAVE, com sua proteção contra acúmulo de juros, melhora diretamente a estabilidade financeira, permitindo que os mutuários mantenham seus saldos sem incorrer em dívidas adicionais durante períodos de dificuldade econômica [73].

Impacto no Consumo, Poupança e Estabilidade Macroeconômica

A ampla inscrição em planos IDR tem implicações macroeconômicas significativas para o consumo e a poupança das famílias, especialmente entre os mais jovens, que são mais afetados pela dívida estudantil. Ao reduzir o fardo mensal do pagamento, esses planos aumentam a renda disponível, permitindo um maior consumo corrente. Essa injeção de liquidez atua como um estabilizador automático, sustentando a demanda agregada durante recessões quando as rendas caem [74]. A retomada dos pagamentos de empréstimos estudantis em outubro de 2023 após a pausa pandêmica demonstrou que a inscrição em IDR atenuou o impacto contracionista sobre os gastos dos consumidores, indicando seu papel como amortecedor econômico [75]. Embora o alívio no pagamento melhore a liquidez de curto prazo, os efeitos sobre a poupança são mais complexos. A redução das obrigações mensais libera recursos que poderiam ser direcionados para a poupança ou a acumulação de ativos. Estudos empíricos mostram que participantes de IDR experimentam melhorias em suas pontuações de crédito, maior probabilidade de possuir cartões de crédito e aumentos na probabilidade de compra de casa, indicadores de maior bem-estar financeiro e acesso ao mercado de crédito [76]. No entanto, o potencial de crescimento da dívida devido à amortização negativa—onde os pagamentos mensais não cobrem os juros acumulados—pode minar as metas de poupança de longo prazo, um problema que o plano SAVE busca mitigar com subsídios de juros [77].

Disparidades no Acesso e Resultados: Desafios para a Equidade

Apesar dos objetivos de equidade, existem disparidades significativas no acesso e nos resultados dos planos IDR entre grupos demográficos, desafiando a eficácia desses programas em promover justiça social. Mutuários negros e hispânicos, que geralmente contraem empréstimos maiores em relação à sua renda e enfrentam maiores taxas de inadimplência, muitas vezes têm menor taxa de inscrição em planos IDR devido a processos complexos de aplicação e requisitos de documentação [78]. Os requisitos de documentação para recertificação anual representam uma barreira particular, pois os mutuários de cor são mais propensos a trabalhar na economia informal ou no setor de gig, com renda irregular e menos acesso a serviços de preparação de impostos [79]. Essas fricções administrativas contribuem para um acesso socialmente estratificado aos benefícios do IDR, onde mutuários com maior alfabetização financeira, tempo e suporte são mais propensos a navegar com sucesso no sistema [80]. Consequentemente, mesmo quando os planos IDR estão disponíveis, barreiras estruturais limitam sua eficácia em promover resultados equitativos, perpetuando as disparidades existentes na educação e na riqueza.

Influência nas Decisões de Carreira e no Mercado de Trabalho

Os planos IDR influenciam significativamente as decisões de carreira, particularmente entre mutuários em campos de baixa ou renda variável, como serviço público, artes ou economia de gig. Ao vincular os pagamentos à renda, esses planos reduzem a penalidade financeira associada a carreiras de baixo salário, incentivando a participação em setores socialmente valiosos. O Public Service Loan Forgiveness (PSLF), quando combinado com um plano IDR, oferece perdão total após 10 anos de pagamentos qualificados, tornando carreiras em governo e organizações sem fins lucrativos mais viáveis financeiramente, especialmente para profissionais em direito, medicina e educação que enfrentam altas cargas de dívida [81]. Isso aumenta a participação da força de trabalho em campos de serviço público, como cuidados primários e ensino, ao reduzir a penalidade financeira associada a empregos de baixo salário [82]. Em campos caracterizados por renda volátil, como a economia de gig, os planos IDR fornecem estabilidade financeira crítica, permitindo que os mutuários ajustem automaticamente seus pagamentos conforme a renda flutua, reduzindo o risco de inadimplência durante períodos de baixos ganhos [83]. No entanto, essa flexibilidade também pode reduzir os incentivos para buscar empregos mais bem remunerados ou estáveis, potencialmente reforçando padrões de subemprego e insegurança de renda [84].

Implicações Fiscais e Sustentabilidade de Longo Prazo

A expansão dos planos IDR apresenta desafios significativos de custo fiscal e sustentabilidade de longo prazo. As projeções indicam que a expansão desses programas imporá custos substanciais ao orçamento federal. O Congressional Budget Office (CBO) estimou que as propostas de expansão do plano IDR aumentariam os custos líquidos do governo em aproximadamente $230 bilhões no período de 2023 a 2033 [85]. Outras análises, como a do Penn Wharton Budget Model, projetam custos ainda maiores, variando de $333 bilhões a $361 bilhões em dez anos, dependendo das taxas de adesão e do desenho do programa [86]. Esses custos se traduzem em um fardo direto para os contribuintes, com estimativas sugerindo um custo médio de $2.500 por contribuinte [87]. A sustentabilidade de longo prazo é desafiada por características estruturais que aumentam as responsabilidades líquidas do governo, como altas taxas de perdão, amortização negativa e respostas comportamentais que podem incentivar a obtenção de empréstimos maiores. O CBO projeta que os planos IDR custarão ao governo 16,9% dos montantes emprestados entre 2020 e 2029, um custo significativamente mais alto do que os modelos de reembolso tradicionais [88]. Sem reformas estruturais, como critérios de elegibilidade mais rigorosos ou mecanismos de recuperação de custos, a viabilidade de longo prazo dos programas IDR permanece em questão, exigindo um equilíbrio cuidadoso entre objetivos humanitários e responsabilidade fiscal [89].

Desafios e Críticas aos Planos de Repagamento com Base na Renda

Os planos de repagamento com base na renda (Income-Driven Repayment, IDR) são uma inovação significativa no sistema de empréstimos estudantis federais dos Estados Unidos, oferecendo alívio financeiro a milhões de mutuários. No entanto, esses programas enfrentam desafios estruturais e críticas contínuas relacionadas à sua sustentabilidade fiscal, complexidade administrativa, disparidades no acesso e impactos de longo prazo sobre os mutuários. Embora projetados para tornar os pagamentos mensais mais acessíveis com base na renda e no tamanho da família, os planos IDR geram preocupações sobre juros acumulados, obrigações fiscais e a equidade de seus benefícios.

Acúmulo de Juros e Crescimento da Dívida

Um dos desafios mais significativos dos planos IDR é o acúmulo de juros que pode exceder os pagamentos mensais, levando ao fenômeno conhecido como amortização negativa. Quando o pagamento mensal é inferior ao juro que se acumula no saldo do empréstimo, a diferença é adicionada ao principal, fazendo com que o saldo total da dívida cresça ao longo do tempo, mesmo com pagamentos regulares [90]. Isso é especialmente comum entre mutuários com baixa renda ou alta dívida, cujos pagamentos podem ser tão baixos que não cobrem os juros mensais. Embora o plano Saving on a Valuable Education (SAVE) tenha introduzido subsídios de juros para mitigar esse problema — cobrindo 100% dos juros não pagos quando o pagamento mensal é feito — esse benefício não está disponível em todos os planos IDR e pode não ser suficiente para evitar o crescimento da dívida em todos os casos [91].

Prolongamento do Prazo de Pagamento e Custo Total de Juros

Os planos IDR estendem o prazo de pagamento para 20 ou 25 anos, dependendo do plano e do tipo de empréstimo, o que reduz os pagamentos mensais, mas pode aumentar significativamente o custo total dos juros ao longo do tempo [92]. Comparado ao plano padrão de 10 anos, os mutuários em IDR podem acabar pagando muito mais em juros, mesmo que uma parte do saldo seja eventualmente perdoada. Essa extensão do prazo de pagamento mantém os mutuários endividados por um período mais longo, o que pode impactar negativamente sua mobilidade econômica e capacidade de acumular riqueza, especialmente se o saldo da dívida continuar a crescer devido à amortização negativa [93].

Implicações Fiscais da Perdão da Dívida

Outra crítica importante é a possível responsabilidade fiscal sobre os valores perdoados. Após 20 ou 25 anos de pagamentos qualificados, o saldo restante pode ser perdoado, mas esse valor geralmente é considerado renda tributável sob a legislação fiscal atual, a menos que isenções específicas se apliquem [52]. Isso significa que os mutuários podem enfrentar uma grande conta de impostos no ano em que sua dívida for perdoada, fenômeno conhecido como "bomba fiscal" [95]. A partir de 2026, espera-se que o perdão de dívidas sob planos IDR seja tributável novamente, a menos que o Congresso prorrogue a isenção temporária estabelecida pela Lei do Plano de Resgate Americano [51]. Embora o perdão sob o Public Service Loan Forgiveness (PSLF) permaneça isento de impostos permanentemente, a maioria dos mutuários IDR não se qualifica para esse programa, tornando a questão fiscal uma preocupação significativa [53].

Requisitos Anuais de Recertificação e Carga Administrativa

Os mutuários devem recertificar sua renda e o tamanho da família anualmente para permanecerem em um plano IDR. A falha em fazer isso dentro do prazo pode resultar na remoção do plano, levando a aumentos significativos nos pagamentos mensais e ao risco de inadimplência [98]. Essa obrigação administrativa pode ser desafiadora, especialmente para mutuários com acesso instável à documentação ou tecnologia, ou para aqueles que trabalham na economia de bicos e têm renda irregular [99]. Além disso, erros de serviço, atrasos no processamento de documentação e comunicação inconsistente podem levar a confusão, pagamentos atrasados e até mesmo inadimplência, comprometendo a eficácia dos programas [100].

Disparidades no Acesso e Resultados

Apesar de serem projetados para ajudar os mais necessitados, os planos IDR enfrentam críticas por não alcançar equitativamente todos os grupos. Pesquisas indicam que mutuários negros e hispânicos, que geralmente enfrentam maiores desafios financeiros, têm menor probabilidade de se inscrever e permanecer em planos IDR devido a barreiras administrativas, falta de divulgação e requisitos de documentação que desproporcionalmente afetam comunidades de cor [101]. O processo complexo de inscrição e recertificação, combinado com disparidades sistêmicas na riqueza e na educação financeira, limita o acesso a esses benefícios para os mutuários que mais precisam deles, perpetuando desigualdades existentes no sistema de empréstimos estudantis [80].

Sustentabilidade Fiscal e Custo para os Contribuintes

A expansão dos planos IDR tem implicações fiscais significativas para o governo federal. O Congressional Budget Office (CBO) estimou que as reformas propostas, incluindo o plano SAVE, poderiam aumentar os custos federais em aproximadamente $230 bilhões em valor presente líquido entre 2023 e 2033 [103]. Esses custos decorrem de pagamentos perdoados e subsídios de juros, representando uma transferência substancial de recursos dos contribuintes para os mutuários. Embora esses programas sejam justificados como uma forma de prevenir inadimplência e promover a mobilidade econômica, sua sustentabilidade de longo prazo é questionada, especialmente com a possibilidade de incentivos perversos que possam encorajar o superendividamento, particularmente em programas de pós-graduação [104]. A pressão sobre o orçamento federal levanta preocupações sobre a necessidade de reformas para garantir que os benefícios sejam direcionados de forma mais eficiente e sustentável [105].

Desafios Legais e Incerteza Jurídica

A implementação de reformas nos planos IDR, como o plano SAVE, tem enfrentado desafios legais significativos. Em 2024, a Corte de Apelações do Oitavo Circuito confirmou uma injunção preliminar bloqueando partes do plano SAVE, citando preocupações sobre a autoridade do Departamento de Educação para implementar unilateralmente mudanças substanciais nos termos dos empréstimos sem autorização explícita do Congresso [9]. Em dezembro de 2025, o Departamento de Educação anunciou um acordo com o estado do Missouri para encerrar o plano SAVE, considerado ilegal pelos tribunais [107]. Essa incerteza jurídica mina a confiança dos mutuários e dificulta o planejamento financeiro de longo prazo, pois os benefícios prometidos podem ser revogados por decisões judiciais. Esses desafios destacam a tensão contínua entre a autoridade regulatória do Departamento de Educação e os limites impostos pelo poder legislativo e pelo sistema judiciário [6].

Mudanças Futuras e Reformas Regulatórias

As políticas de Repagamento com Base na Renda (IDR) nos Estados Unidos estão em constante evolução, impulsionadas por reformas administrativas, mudanças legislativas e decisões judiciais. As próximas mudanças estruturais visam simplificar o sistema de reembolso, torná-lo mais sustentável fiscalmente e ampliar o acesso a mutuários de baixa renda, embora enfrentem desafios legais significativos. A principal transformação em curso é a introdução do Repayment Assistance Plan (RAP), que substituirá a maioria dos planos IDR atuais, consolidando o sistema em uma estrutura mais simples e acessível [109].

Transição para o Repayment Assistance Plan (RAP)

A partir de 1º de julho de 2026, novos empréstimos estudantis federais não poderão mais se inscrever na maioria dos planos IDR existentes, como o Pay As You Earn (PAYE) ou o Income-Based Repayment (IBR) [109]. Em seu lugar, será implementado o novo Repayment Assistance Plan (RAP), que se tornará a principal opção baseada na renda para novos mutuários [111]. Este plano, que entrará em vigor plenamente até 1º de julho de 2028, visa unificar os múltiplos planos atuais em um único modelo mais previsível e fácil de entender, reduzindo a confusão entre os mutuários e melhorando a eficiência administrativa [112].

O RAP será baseado em princípios semelhantes ao Saving on a Valuable Education (SAVE), com pagamentos calculados como uma porcentagem da renda discricionária do mutuário, mas com um período de perdão de 30 anos para novos empréstimos [113]. A expectativa é que essa nova estrutura torne o sistema de reembolso mais sustentável a longo prazo, equilibrando o alívio ao mutuário com a responsabilidade fiscal. O Departamento de Educação dos EUA argumenta que a simplificação é essencial para garantir que os mutuários possam navegar com mais facilidade no sistema e que os benefícios cheguem de forma mais equitativa, especialmente aos que mais precisam [114].

O Futuro do Plano SAVE e Desafios Legais

O plano Saving on a Valuable Education (SAVE), introduzido em 2023 como o plano IDR mais generoso até então, com pagamentos reduzidos a 5% da renda discricionária para empréstimos de graduação e subsídios de juros que impedem o crescimento do saldo da dívida, enfrentou sérias barreiras legais [30]. Em dezembro de 2025, o Departamento de Educação dos EUA anunciou um acordo com o estado do Missouri para encerrar o plano SAVE, após decisões judiciais que o consideraram ilegal por exceder a autoridade do Secretário de Educação concedida pelo Lei de Educação Superior [107].

Como resultado, o plano SAVE foi suspenso, e os mutuários inscritos estão sendo transferidos para planos alternativos, como o IBR ou o PAYE [117]. Esse desfecho ilustra o delicado equilíbrio entre a inovação administrativa e os limites do poder executivo. A decisão judicial no caso Biden v. Nebraska (2023), que bloqueou a ampla cancelamento de dívidas estudantis, estabeleceu um precedente claro de que mudanças substanciais nos termos dos empréstimos federais exigem autorização explícita do Congresso [118]. Assim, o futuro das reformas do IDR depende cada vez mais de ações legislativas claras, como a Lei de Reconciliação Orçamentária de 2025 (P.L. 119-21), que buscou definir parâmetros mais sólidos para o sistema de reembolso [119].

Reformas Regulatórias para Melhorar Acesso e Equidade

Apesar dos desafios legais, o Departamento de Educação dos EUA continua a buscar melhorias no sistema IDR por meio de regras regulatórias. Uma das principais prioridades é simplificar o processo de recertificação, que exige que os mutuários atualizem sua renda e tamanho da família anualmente. A falta de recertificação é uma das principais causas de remoção do plano IDR e aumento repentino dos pagamentos, o que pode levar à inadimplência [47]. Para mitigar isso, o Departamento está explorando a inscrição automática e a recertificação baseada em dados do Receita Federal (IRS), o que reduziria a carga administrativa e aumentaria a participação, especialmente entre mutuários de baixa renda e de grupos sub-representados [121].

Além disso, há um foco crescente em abordar disparidades raciais e socioeconômicas no acesso aos benefícios do IDR. Pesquisas indicam que mutuários negros e hispânicos enfrentam maiores barreiras para se inscrever e permanecer nos planos, muitas vezes devido a dificuldades com documentação de renda ou falta de informação [79]. Reformas futuras podem incluir a priorização de subsídios para mutuários com alto endividamento em relação à renda, especialmente aqueles que receberam bolsas Pell Grant, que são desproporcionalmente de baixa renda e estudantes de cor [7].

Implicações Fiscais e Sustentabilidade do Sistema

A expansão dos planos IDR tem implicações fiscais significativas. O Escritório Orçamentário do Congresso (CBO) estima que as reformas propostas, incluindo o plano SAVE, aumentariam os custos federais em aproximadamente $230 bilhões no período de 2023 a 2033 [103]. Esses custos refletem tanto a redução nas receitas de reembolso quanto o aumento nos subsídios de juros e nos valores perdoados. A sustentabilidade a longo prazo do sistema depende de um equilíbrio cuidadoso entre alívio ao mutuário e responsabilidade fiscal. A transição para o RAP pode ser uma resposta a essas preocupações, ao estabelecer um modelo mais previsível e potencialmente menos oneroso para o Tesouro.

Além disso, uma mudança importante nas implicações fiscais ocorrerá a partir de 2026: os valores perdoados sob planos IDR deixarão de ser isentos de impostos, a menos que o Congresso estenda a isenção temporária estabelecida pelo American Rescue Plan Act [125]. Isso significa que os mutuários podem enfrentar uma "bomba fiscal" — uma grande conta de imposto de renda no ano em que sua dívida for perdoada. Esse novo cenário exige que os mutuários planejem financeiramente com antecedência, possivelmente poupando anualmente para cobrir essa obrigação futura [126].

Referências